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 LER / DORT
Qui iba a dicir ami
Qui iba a imaginar
Si mi manos
Son lo único que tengo
Son mi amor
Y mi sustento...

Victor Jara, Chile.

Siglas, nos acostumamos e incorporamos em nosso vocabulário, a cada dia nos trazem à lembrança impostos, taxas, partidos, movimentos sociais, entidades classistas e sindicais, setores de trabalho e, por outro lado temos aquelas que representam quadros de doenças que acometem grupos de indíviduos homogêneos ou não, como a AIDS e as LER – Lesões por Esforços Repetitivos, também conhecidas com o nome de DORT – Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho, reconhecida pelo próprio INSS.

Conheça as pesquisas
sobre LER/DORT
realizadas durante
as SIPATs do CENPES
e do EDISE

As LER - Lesões por Esforços Repetitivos representam um grupo de doenças que atingem músculos, tendões e membros superiores (dedos, mãos, punhos, antebraços e pescoço) e que têm relação direta com as exigências das tarefas, ambientes físicos e organização do trabalho. Conforme a gravidade das lesões pode levar até à incapacitação total para o trabalho.

Mas afinal, porque tanta polêmica com as LER ou DORT? Poderíamos fazer inúmeras perguntas, certamente para as quais já existem respostas com fundamentados e rigorosos estudos científicos, reconhecimento da comunidade científica internacional, da legislação previdenciária e trabalhista nacional e internacional.

Entretanto vivem os trabalhadores via de regra, sua via crucis, a terem que mostrar e demonstrar provas de seu sofrimento, nem sempre tão evidenciáveis ou demonstráveis nos exames laboratoriais disponíveis ou ainda, quando existentes facilmente descartadas e atribuídas a outras nosologias.

Em um só discurso e em uníssono negam a responsabilidade: a empresa e o governo. É comum ouvirmos queixas de trabalhadores que ficam isolados a um canto da empresa com seu sofrimento psíquico e orgânico, sem maiores perspectivas de ascensão profissional, sem o reconhecimento do nexo causal seja pelos setores competentes da empresa ou do seguro social e em algumas situações até mesmo pelos colegas de trabalho, estes certamente pela desinformação e pela política impregnada pela empresa de competitividade, fragmentação do trabalho, individualismo, etc.

Traçando um paralelo com a AIDS cujo surgimento produziu e vem produzindo profundas mudanças no comportamento e relações humanas, as LER embora já fossem

 

 

conhecidas desde os primórdios da Revolução Industrial, trazem à discussão obrigatoriamente temas relacionados ao capital x trabalho e, suas repercussões nas relações de produção vigentes são tão perceptíveis que na meca do capitalismo internacional, os EUA, já representam o principal problema de saúde no trabalho, gerando um grande custo anual.

A ocorrência das LER em grande número de pessoas em diferentes países provocou uma mudança no conceito tradicional do que é o trabalho pesado, envolvendo esforço físico é mais desgastante que o trabalho leve, envolvendo esforço mental, com sobrecarga dos membros superiores e relativo baixo gasto de energia.

Como em todos os momentos da história da humanidade, hão de existir sempre aqueles que com outro juízo de valores preferem assumir uma atitude de negar a existência do problema, muitas vezes com certa veemência, do que realizar sua própria investigação ou, incluir em sua metodologia de avaliação do trabalhador as questões inerentes ao tema.

Relutam sequer a aceitar a existência de qualquer fator de risco ergonômico, como se as empresas cumprissem com o rigor esperado as determinações da NR-17, a Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho estabelece que compete ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas do trabalhador. O controle a serem adotados envolvem: o dimensionamento adequado do posto de trabalho, os equipamentos e as ferramentas, as condições ambientais e a organização do trabalho.

Acusam com frequência, embora sem argumentação convincente, de que os problemas são criados pela fértil e criativa mente do trabalhador. Será uma nova forma de fenômeno de somatização individual, com risco de contaminação no comportamento mental e social do grupo? Ou será mais uma vez um modo mais cômodo de negar evidências científicas para proteger o modo de produção vigente?

Queremos que as empresas assegurem aos trabalhadores, um ambiente de trabalho saudável e ergonômico.

 

Saiba quais são as doenças consideradas LER/DORT:

  • Bursite - inflamação das bursas (pequenas bolsas que se situam entre os ossos e tendões das articulações do ombro)
  • Epicondilite - inflamação das estruturas do cotovelo
  • Miosites - inflamação dos músculos
  • Síndrome Cervicobraquial - compressão do plexo (nervos e vasos)
  • Síndrome do Ombro Doloroso - compressão de nervos e vasos em região do ombro
  • Síndrome do Túnel do Carpo - compressão do nervo mediano ao nível do punho
  • Tendinite - inflamação dos tendões
  • Tenossinovite - inflamação do tecido que reveste os tendões

 

Os fatores de risco

  • Ambientes de trabalho frios, ruidosos e mal ventilados
  • Ausência de pausas durante a jornada de trabalho
  • Excesso de horas extras
  • Má qualidade de peças e equipamentos
  • Mobiliário inadequado (cadeiras, mesas e etc)
  • Ritmo acelerado para garantir a produção
  • Tarefa única realizada de forma repetitiva
  • Trabalho automatizado, onde o trabalhador não tem controle sobre suas atividades
  • Trabalho rigidamente hierarquizado, sob pressão permanente das chefias

 

Conhecendo um pouco você e seu trabalho

Este formulário elenca alguns dos fatores de risco para a ocorrência das LER/DORT. Se você desejar responda as perguntas, envie ao sindicato ou agende um contato com a assessoria de saúde ocupacional para orientação

   
Seu nome (obrigatório)
Seu correio eletrônico (obrigatório)
Seu telefone (obrigatório)
Tempo que desenvolve atividade atual: anos
Trabalha com computador? sim não às vezes
Costuma ter fadiga mental após o trabalho? sim não às vezes
Costuma ter fadiga física após o trabalho? sim não às vezes
Teve dor ou desconforto no último ano, que acredita estar relacionado
ao trabalho?
sim não às vezes
Em quais regiões sente com mais frequência?
pescoço
ombro
cotovelo
antebraço
mão/punho
dedos
coluna
membros inferiores
Qual o lado que mais incomoda? direito esquerdo ambos
Tem procurado assistência médica quando percebe estes sintomas? sim não às vezes
A que atribui o surgimento dos sintomas? trabalho trauma lazer/esporte
Tem ou já teve diagnóstico de LER? sim não
Caso positivo, qual foi o tipo de lesão?
Chegou a ser emitida CAT para o INSS? sim não
Quais foram os tratamentos a que se submeteu?
Houve mudança em seu posto de trabalho? sim não
Houve mudança de tarefas/atividades? sim não
Ainda sente sintomas de LER? sim não
O que pensa em fazer para melhorar os sintomas?

 

Alberto José de Araújo, MD, M Sc.
Assessor de Saúde Ocupacional - Sindipetro-RJ

 

 


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