|

|
 |
|
Tabagismo,
dos rituais tribais
ao sacrifício de vidas na
modernidade.
É possível mudar esta
realidade?
|
Para mim basta um dia
Não mais que um dia,
um meio dia.
Me dá só um dia
E eu faço desatar
a minha fantasia...
Chico Buarque
|
Às
pessoas vítimas do tabaco...
Por
um dia, mais um dia, talvez o derradeiro dia,
De se ver livre do pesadelo, e viver a verdadeira fantasia.
Quem sabe hoje se depositem as cinzas de triste memória
Ou talvez amanhã, ao sentir o gosto da batalha
libertária.
Alberto Araújo, 28.8.2000
|
|
Uma
homenagem às pessoas que resistem e lutam bravamente
para sair das correntes, dos nós produzidos pelo tabaco.
Homens e mulheres podem superar o tabaco com tenacidade, determinação
e humildade para pedir e/ou aceitar ajuda. O desafio de buscar
uma melhor qualidade de vida, uma mudança na sua relação
com o outro, que está a seu lado, em casa, no trabalho,
na escola, começa com o ar que inspira e que exala...
Se
você inspirar o perfume da vida procurando trazer à
lembrança os saudáveis aromas da natureza, verá
quão sombria é esta nuvem de fumaça,
que nada tem de charme que a enganosa (porque não dizer
falaciosa e criminosa) propaganda que lhe açoita noite
e dia.
Importante,
que você pode procurar ajuda, junto a seu médico,
para estabelecer consigo um compromisso e um adequado protocolo
para deixar o tabaco. Vários Hospitais hoje já
se dedicam a esta nobre tarefa, como o INCa - Instituto Nacional
do Câncer e a Santa Casa de Misericórdia do Rio
de Janeiro. Mais recentemente outros hospitais federais entraram
nesta luta, como o HUCFF-UFRJ e o HUPE-UERJ, criando Comitês
de Controle do Tabagismo e iniciando programas como o "Hospital
Livre do Tabaco".
"Mas,
será que vale a pena largar o fumo agora,
que já estou sofrendo os males provocados por ele?"
Cuidado!
Este é um argumento falso e pode desmotivá-lo
a continuar a fumar. É preciso desmitificar, em qualquer
época da vida, não importa o número de
tentativas que você fizer, vale a pena. Porquê?
O simples fato de você se convencer da deterioração
de seu estado de saúde se você continuar fumando,
deve pesar em sua decisão. Todos desejamos viver com
qualidade de vida e, neste caso todos os estudos em relação
ao tabaco feitos por renomados cientistas acompanhando pessoas
que conseguiram deixar de fumar, demonstra que os riscos de
doenças associadas ao tabaco se reduzem drasticamente
com a cessação do tabaco.
Para
citar alguns exemplos, o tão temido "Infarto
Agudo do Miocárdio", pode ocorrer com uma
razão de chance 3 a 4 vezes maior nas pessoas que fumam
em relação aquelas que não fumam. Agora,
se a pessoa interromper o tabagismo, este risco cai à
metade em 1 a 2 anos. Do mesmo modo, estes resultados podem
aparecer de imediato com a menor incidência de espasmos
arteriais e de arritmias cardíacas, porque a hemoglobina
se torna livre do terrível monóxido de carbono
e, além disso, reduz-se formação de coágulos.
Observe,
que isto a propaganda não mostra, eles dizem que você
tem o direito de escolher o que consumir, o tal princípio
da livre escolha, que isto é democrático, etc.
Agora eles demoraram um século para reconhecerem que
o fumo faz mal à saúde - o tabagismo hoje é
reconhecido como doença na classificação
internacional de doenças da OMS - Organização
Mundial da Saúde - mas você não terá
todo este tempo para livrar-se do cigarro.
Pense
bem, você foi induzido a fumar, tornou-se vítima
da indústria bilionária do tabaco, sente na
pele os efeitos nocivos do tabaco - estes não aparecem
na propaganda, agora reflita, você não precisa
contribuir para sua própria destruição
e para o crescimento de lucros desta indústria da morte.
Se
você está consciente dos riscos do tabaco, mesmo
que você "ainda não sinta nada", o
tempo é implacável, a sua resistência
irá diminuindo e os riscos do temível câncer
se tornarão cada vez maiores. Seja ousado, tome a verdadeira
decisão inteligente, procure tratamento médico,
apoio de amigos e familiares, evite freqüentar locais
onde o fumo é permitido.
O
retorno à vida saudável, longe da cortina nebulosa
da fumaça do tabaco, lhe proporcionará uma melhor
condição física, pois a cessação
do hábito aumentará a circulação
do oxigênio em suas artérias, uma melhor irrigação
em todo o seu vasto continente orgânico. Você
e seus amigos poderão observar os efeitos em sua disposição,
seu estado de humor, no seu sorriso descoberto, na tessitura
de sua pele. Além disso, em tempos de crise econômica,
os seus custos diretos e indiretos (para tratar das doenças
provocadas pelo tabaco) advindos do uso do tabaco irão
se reduzir substancialmente, você poderá inverter
seus recursos em outras prioridades.
|
O
Jovem, vítima da indústria do tabaco!
Induzir o jovem ao consumo de drogas, em especial o
tabaco - o tabaco é também uma droga,
embora de venda "legal" - deveria constar
explicitamente no Estatuto Dos Direitos do Menor e do
Adolescente, como crime não só a venda
como qualquer referência publicitária.
|
Esta
mensagem é dirigida aos jovens, que com tão
poucos anos em sua mocidade têm sido arrebanhados pela
Indústria do Tabaco, se constituindo em alvo prioritário
de suas mensagens publicitárias.
Nesta
fase tão marcante da vida, em que emerge a sensação
de aventura – de experimentar o novo, de ruptura com padrões,
comportamentos e conceitos estabelecidos, de auto-afirmação
e de questionamento. Pois é justamente nesse momento
que o adolescente é "fisgado" na rede de
dependência do fumo.
No
começo pode se manifestar por uma curiosidade,
afinal, porquê não experimentar?
Como
diz a mais recente propaganda, "se acontecer alguma
coisa, eu só vou saber depois...". Modelos
de comportamento, por imitação dos pais, amigos,
ídolos os leva a iniciação deste terrível
hábito, assim como para expressar independência,
para superar a timidez e para adquirir segurança.
A
falsa imagem produzida com o cigarro como o símbolo
da liberdade "de ser livre, para escolher o melhor
para você" a todo instante soa na cabeça
do jovem, no entanto não é o cigarro que irá
lhe garantir a liberdade tão sonhada.
Pelo
contrário, anos, décadas mais tarde, quando
o "glamour" da juventude em seus anos dourados
for lembrança de sua história, este sonho de
liberdade passa a se tornar pesadelo de seus dias e noites,
pois ao longo do tempo este convívio com o cigarro
vai deixando marcas em sua vida, que pode se tornar amarga
vida.
A
dependência à nicotina é um fenômeno
químico que gera a sensação de fissura,
de necessidade de consumir o cigarro e que de longe representa
o mais importante obstáculo para deixar o tabaco. No
entanto, o mais grave é que junto com a nicotina são
carreados para a circulação, através
dos pulmões, inúmeras substâncias nocivas,
como alcalóides do alcatrão e metais pesados.
Eles são reconhecidos pelo IARC como potenciais agentes
cancerígenos não só para os pulmões,
como para outros órgãos nobres: cavidade oral,
laringe, esôfago, estômago, rins e bexiga, pâncreas,
colo uterino.
|
"Para
entender o uso do tabaco, é preciso levar em
conta, a pessoa na sua dimensão plena, o meio
social e o próprio fumo".
O
tabaco funciona para o adolescente como um estereótipo,
uma forma de buscar a identidade junto ao grupo, visando
alcançar a individualização adulta.
|
Mas
afinal, quais são os fatores que conduzem a levar um
contingente cada vez maior de jovens a consumirem cigarros?
E o que as empresas de cigarro fazem para impulsionar este
nocivo hábito?
-
A
crença de que podem parar de fumar quando quiserem.
-
Acreditam
que ficam mais atraentes quando fumam.
-
Forma
de contestação dos valores sociais e familiares.
-
Na
busca de novos prazeres, alegria e emoção,
o caminho do tabaco passa a se tornar interessante e uma
das opções.
- A
mídia dissemina imagens associando a decisão
de consumir cigarros à boa condição atlética,
sucesso nos esportes e na vida social e ao alcance da maturidade.
Estas
mensagens tornam os adolescentes fáceis alvos, por
sua busca por um "escudo" que lhes tornem
mais adultos e seguros.
Vivemos
em um tempo de rápidas e drásticas transformações
e mudanças e uma crise sem precedentes na história
da humanidade. De um lado as desigualdades sociais do modelo
econômico vigente vem levando em especial os jovens
a não visualizarem perspectivas no futuro, como os
elevados níveis de desemprego e dificuldade de inserção
no mercado de trabalho. De outro lado, somam-se a estas, a
escassez de modelos de identificação, a carência
afetiva e a insatisfação.
No
enfrentamento destas questões, o jovem acaba experimentando
o tabaco.
| É
preciso construir um novo balizamento ético-social
nas relações humanas na sociedade de consumo
em que vivemos. Não poderá haver lugar para
o tabaco em uma nova ordem social no planeta, pois ele
é uma ameaça à própria sobrevivência
da espécie humana. |
O
tabaco mata muito mais que a soma das mortes produzidas por
catástrofes naturais, por acidentes de trânsito,
pela AIDS, etc. É uma morte lenta assistida por gananciosos
empresários que fazem negócio com a desgraça
humana, por legisladores omissos e por dirigentes da economia
interessados nos impostos gerados por sua comercialização.
Felizmente,
nos últimos 5 anos esta situação começa
a mudar radicalmente no Brasil, com a lei que proíbe
o fumo em ambientes fechados e agora recentemente com a aprovação
na Câmara Federal de lei proibindo qualquer propaganda
de cigarro ou o seu patrocínio para atividades de cultura,
esportes e lazer, as últimas a vigorarem em 2003.
Epigrama:
A saga de um fumante...
Tecendo
quiçá sua derradeira cortina de fumaça.
Arfando,
sofregamente respirando.
Blasfemando,
da melancólica mordaça.
Antes
tanto olvidada hoje tramando,
Girando
ao seu redor, como névoa, a fatídica ameaça.
Imortalizando
seu último ato encerrando
Seu
estertor em trágica dança
Mórbida,
nada venturosa ou charmosa, quanto outrora anunciado.
O
grito de revolta é abafado, até que a vida se
enlaça...
AJA,
31.5.00 - Dia Internacional de Combate ao Tabaco.
Com
este epigrama, misto de trágico e real – situação
lamentavelmente vivida no cotidiano por médicos, profissionais
de saúde e entes queridos - pois parafraseando Richard
Bach, "Longe é um lugar que não existe",
virtual, bonita e charmosa é a publicidade reservada
a este grande mal da humanidade, que avilta valores tão
nobres do comportamento humano, como a liberdade, a sensação
do prazer, o desafio da aventura, o eterno descobrir e descobrir-se;
ensejando que se está mais próximo destas sensações
quando se fuma.
Mesmo
Fernão Capelo Gaivota não poderia voar tão
longe se estivesse envolto nesta névoa de fumaça.
De outro lado, nós que nos damos asas à imaginação
e em nossos sonhos, façamos de nossa arte, um caminho,
uma ponte que leve as pessoas que fumam a buscar outros horizontes,
a descobrirem os verdadeiros prazeres desta vida.
No
estado da Arte Médica, nos defrontamos com milhares
de inimigos, agentes invisíveis, que mesmo sob nossa
determinada e vigilante ação, insistem em hospedar-se
em nossos pacientes, modificando suas estruturas genéticas
para ludibriar o estado de defesa. Assim também ocorre
com o tabaco, observem a evolução da indústria
do tabaco neste século, que até recentemente
negava qualquer possibilidade da nicotina gera dependência
química, contra toda a argumentação científica
disponível.
Os
elevados custos sociais e econômicos provocados pelas
seqüelas e doenças relacionadas ao tabaco – como
o câncer, o enfisema, a bronquite crônica, o derrame,
o infarto, etc., são imensuráveis.
Na
nossa América, ainda Ameríndia, como tantas
riquezas naturais, foi extraído também o tabaco,
que era usado em rituais especiais pelos indígenas.
Os invasores europeus levaram-no ao mundo, estendo-se por
todos os continentes, apesar de seus reconhecidos efeitos
maléficos à saúde.
Inicialmente
suas folhas foram comercializadas sob a forma de fumo para
cachimbo, rapé, tabaco para mascar e charuto. A industrialização
sob a forma de cigarros ou cigarrilhas iniciou-se ao final
do século passado.
O
seu uso de forma epidêmica a partir de meados de nosso
século, foi estimulado por técnicas avançadas
de publicidade e marketing. Mesmo a chamada sétima
arte: o cinema, não escapou aos seus "atrativos".
A importância econômica do tabaco no Brasil levou
a ser incorporada ao brasão da república.
O
que antes era tido como um charme "hollywoodiano"
passou a significar uma terrível ameaça para
a saúde das pessoas. A partir de 1960, surgiram os
primeiros relatórios médicos que estabeleciam
relação de causa e efeito, entre o consumo de
cigarros e doenças no fumante e, a seguir, também
no fumante passivo.
...Fumar
passou assim a ser encarado como uma dependência à
nicotina, que precisa ser esclarecida, tratada e acompanhada.
O
tabaco seja na forma "in natura" como na industrializada,
gera um quadro conhecido como tabagismo, hoje constante na
X Classificação Internacional de Doenças
da OMS. O consumo ativo ou passivo do tabaco leva à
intoxicação aguda ou crônica.
Alberto
José de Araújo
Coordenador do Comitê de Controle do Tabagismo - Hucff/Ufrj
Secretaria
de Saúde, Tecnologia e Meio Ambiente do
Sindipetro-RJ
Endereço: Av. Passos, 34 - Centro - Rio de Janeiro
- RJ
Telefone: (021) 3852-0148 ramal 222
E-mail:
saude-meioambiente@sindipetro.org.br
|
|