Um dos temas mais debatidos e controversos, nos estudos sociais, diz
respeito às grandes mudanças operadas no campo do trabalho,
particularmente aquelas ligadas ao desenvolvimento tecnológico.
O desenvolvimento tecnológico provocou profundas mudanças
na atividade humana da produção, no trabalho. O avanço
na utilização da tecnologia, reduzindo o esforço
físico e fazendo crescer de forma desmesurada o papel da máquina,
faz com que a sociedade encare de maneira diferente tudo o que se refere
ao trabalho. Essa discussão, entretanto vem gerando colocações
de ordem política que excede os limites da ciência. c
A introdução crescente de metodologias, instrumentos
e máquinas alteram sobremaneira o quadro em que se dá
o processo produtivo, interferindo até na velha contradição
entre o labor físico e o labor intelectual.
Da mesma forma, o que se convencionou chamar nas sociedades mais complexas
de alargamento de serviços, contribui para tornar o problema
de discussão ainda mais difícil. Não é de
se espantar que surjam teorias como a de que "o proletariado caminha
para a extinção, enquanto classe, portanto as posições
ideológicas que repousam no papel eminente dessa classe devem
aceitar o ponto final de sua razão de ser".
A lógica nessa concepção teórica viria,
não somente dessa aceitação tácita, como
da aceitação do fato de que a sociedade, não mais
existindo classe operária, seria composta apenas pela burguesia.
É evidente que colocada desta maneira, a discussão perde
em seriedade, mas é inegável o fato de que ocorrem mudanças
na área do trabalho.
A categoria trabalho não está extinta, mas as suas variações,
que se processam amplamente na sociedade, devem ser objeto de estudo
e dimensionamento. A principal problematização está
na permanente variação e as discussões que as acompanham,
naquilo que Karl Marx definiu como "composição orgânica
do capital".
É justamente ela que deve ser objeto de preocupação
para políticos e economistas, porque dela advém reflexos
profundos para a sociedade. E a propósito, uma das áreas
em que o neoliberalismo agrava velhas posturas reacionárias é
o seu "horror ao trabalho" e tudo que decorre dos seus reflexos,
na economia e na política.
A tese neoliberal de que a inflação, uma das mazelas
da sociedade dividida em classes, seria oriunda do salário, isto
é, da remuneração ou do valor agregado do trabalho.
Aumentos ou reposição de salários sempre foram
tidos, como impulsos inflacionários.
Daí decorre o clássico tratamento de reduzir direta ou
indiretamente, a remuneração do trabalho quando se trata
de conter a inflação.
O neoliberalismo não só levou às últimas
conseqüências, o processo de despolitizar o esforço
do proletariado para deter a espoliação do trabalho, levando
as massas operárias à greve.
Estas, segundo a nova ordem vigente, não podem ter características
políticas, devendo se restringir ao nível reivindicativo.
Fixa normas mais adequadas ao modo de pensar neoliberal nas relações
trabalho e capital como o entendimento direto entre o salário
e quem paga, com o Estado antigo árbitro, agora fora da questão.
Obviamente, o lado mais forte, o capital baterá o outro, o trabalho.
Nesta concepção, similar ao entendimento de que o salário
causa infração, o trabalho é algo que a tecnologia
moderna tem condições de substituir. Na mesma assertiva
de que o proletariado tenderá a desaparecer, também o
trabalho em breve deixará de existir.
O desenvolvimento tecnológico exerce influência sobre
a composição do capital e a estrutura da sociedade. As
alterações na posição relativa de classes
quanto à participação de seus componentes na repartição
da riqueza produzida pelo trabalho. Os avanços tecnológicos
só proporcionam estas mudanças quando abalam essa estrutura,
porém em alguns casos, não a abalam e podem mesmo reforçá-la.
No Brasil, a sólida resistência das velhas estruturas oligárquicas
ocasionou uma dessas anomalias.
O aspecto mais grave que o neoliberalismo brasileiro apresenta quanto
ao trabalho e a sua fobia pelo trabalho, ao longo de sua arrasadora
implantação são a enormidade taxa de desemprego,
que hoje assume aspectos dramáticos.
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