SAÚDE & TRABALHO NO PROCESSO HISTÓRICO E NO CONTEXTO POLÍTICO DO NEOLIBERALISMO
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5. A que se propõe o neoliberalismo

O Mito do Mercado:

O Estado enquanto organização política ou categoria política - é uma coisa pública, por contraste do que pertence à área privada.

Na área política, está presente o povo.

Na área privada, o que pertence aos indivíduos, no que se refere à economia, do que visa e depende do lucro, nas sociedades em que o lucro é a medida de todas as coisas.

Mas o Estado é também uma categoria histórica, pois ele muda ao longo do tempo e é subordinado à correlação de forças na sociedade. Ele não existiu sempre, ele surgiu com a sociedade de classes. Comunidades primitivas não têm classes, não conhecem o Estado (exemplo: ianomâmis).

O Estado têm razões políticas, move-se por razões políticas - nível em que o público, o povo, intervém conforme a etapa de desenvolvimento da sociedade.

A ordem privada move-se por razões de lucro, tem razões de lucro.

Quando se pretende, pois deslocar determinada empresa da área do Estado para a área privada, isto significa que ela em lugar de pertencer ao público, passa a pertencer a indivíduos ou a agrupamentos de indivíduos em empresas. Deixa de ser de todos, para ser de alguns.

Basta ver o furor com que atualmente se atiram à rapina do Estado, no chamado processo de "enxugamento" da máquina estatal, através do instituto da privatização.

Reduzir o Estado a mínimas proporções, deixando-lhe tarefas e funções que não dão lucro, ou seja, serviços indispensáveis à ordem pública. Para ganhar corpo e opinião pública, esta tese assumiu proporções de violenta campanha de desmoralização do Estado e dos serviços públicos e estatais, inoperante funcionado como entrave ao progresso, palavra de ordem adotada pela mídia. A "modernidade" em que o país tardava em ingressar, representava o caminho único para atingirmos o 1º Mundo.

Trata-se de uma grande impostura, pregada de forma metódica, ardilosa, com objetivos bem claros: retirar do Estado, não apenas as grandes empresas, que lhe permitiam estar presente no mercado, mas até para as mesmas funções para as quais se aparelhava.

Defender como do interesse geral aquilo que na realidade é do interesse de alguns, é uma velha técnica que a ingenuidade e boa fé de um povo desinformado permite ganhar pela repetição, forma de verdade.

Opor-se à "modernidade", realmente, era sinal inequívoco de atraso. A modernidade em que o Brasil tardava em ingressar, representava o caminho único para atingirmos o "primeiro mundo". A impostura seguiu seu caminho, encontrou guarida e defesa, daí a fúria das privatizações.

O sucateamento da rede hospitalar, a destruição do ensino público, o abandono já antigo do transporte ferroviário e por água - mais eficientes e baratos, o desemprego e, outras tantas foram conseqüência dessa política batizada de "modernidade".

Com uma urgência já por si suspeita, batiam o martelo e passavam às mãos de grupos já bem instalados no mercado, as empresas públicas em áreas onde o Estado se fazia presente na produção, com eminente papel, como o caso das Siderúrgicas.

Esses grupos ainda lançaram mão das chamadas "moedas podres", correspondendo no final a grandes "doações" do patrimônio público. Este processo acelerou a concentração de renda, aumentou o desemprego, debilitou o patrimônio público e não reduziu o déficit público.

Estado Mínimo. Mercado Livre.

A tese que aponta o Estado como expressão do atraso e sua redução como premissa indispensável ao progresso e à modernidade, ampara-se no pressuposto de que a intervenção do Estado na economia é nociva e imoral. As funções do Estado deveriam ser reduzidas ao mínimo, cabendo-lhe apenas presidir, sem intervir, o livre desenvolvimento das forças de mercado.

A concepção de mercado livre, herança dos velhos tempos da economia de concorrência, é inteiramente descabida em uma economia oligopolizada como a nossa e, é herança indevida da propalada "lei da oferta e da procura", há muito sepultada.

A apresentação do mercado como potentado mítico, dotado de mágicos poderes, é desconectada da realidade.

O Estado sempre teve intervenção na economia, no Brasil e no mundo, simplesmente pelo fato de existir. Não existe um Estado neutro ou um Estado acima da sociedade desvinculado de sua condição societal. Senão vejamos a situação da maior potência econômica do mundo, os Estados Unidos da América, pois na Meca do capitalismo, a atuação do "Federal Reserve" é decisiva para os rumos da economia norte-americana.


 

 

 


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