Os mais comuns
combustíveis fósseis são o carvão,
petróleo e o gás natural. Para a sua formação
a natureza despendeu milhões de anos resultado da morte
de plantas e animais e decomposição de rochas
e do solo. A descoberta destas fontes de energia levou a humanidade
a alavancar progresso e crescimento, em um fulminante processo
de industrialização do mundo, não respeitando
os limites e os riscos provenientes da extração,
transformação, queima e manipulação
desses combustíveis.
Se por um lado,
a exploração desenfreada dessas fontes naturais
de energia gerou um avanço sem precedentes no campo tecnológico,
por outro lado trouxe trágicas conseqüências
para o meio ambiente e para as espécies do reino vegetal
e animal.
A humanidade
vive assim um grande dilema, pois grande parte do parque industrial
moderno e dos padrões de vida e consumo do mundo atual,
torna os seres humanos cada vez mais dependentes de energia.
E, tirando o potencial de utilização da água,
através das hidrelétricas (as quais estão
sujeitas às variações climáticas),
as fontes alternativas, de produção de energia
de fontes limpas, como a energia solar e a dos ventos (eólica)
foram até agora muito pouco pesquisadas.
O monopólio
de grupos econômicos e de países que produzem as
chamadas fontes de energias sujas que contaminam o ambiente
com emissões de partículas sólidas, de
gases tóxicos e vapores na atmosfera, colocam em risco
a "saúde do planeta terra e a de seus habitantes,
incluindo a espécie humana".
Embora as reservas
mundiais das fontes poluidoras de energia tenham uma estimativa
curta de vida, provavelmente não mais que um século,
a continuar o processo em curso, os danos poderão se
tornar irreversíveis antes mesmo do esgotamento das reservas,
como o as chuvas ácidas, poluição atmosférica
e mudanças climáticas globais gerando desastres
e perdas de vidas e finalmente o aquecimento global, com a destruição
progressiva da camada de ozônio que protege a superfície
terrestre da radiação ultravioleta do sol, aumentando
a desertificação no planeta e a insustentabilidade
da vida.
O filtro natural
que a camada de ozônio propicia, protege a pele do tão
temível câncer de pele.
O aumento de
gases na atmosfera aumenta as doenças respiratórias
e eleva o risco de morte para pessoas com problemas pulmonares
e circulatórios, basta citar o exemplo (péssimo
exemplo, aliás) da cidade do México, de Nova Jérsei
(EUA), Tóquio e Cubatão (Brasil).
Mecanismos de
regulação internacional têm sido discutidos
por grupos ambientalistas, universidades, organismos internacionais
e organizações não governamentais, mas
têm encontrado barreiras de governos como os EUA, para
a adesão a protocolos como o de Kioto, que determinam
a redução gradual dos padrões de emissão
de CO2 e de dióxido de nitrogênio na atmosfera.
Agora com a crise
de energia, por absoluta falta de investimento no 2º
país do mundo em bacia hidrográfica (só
perdemos para o Canadá), têm levado o nosso governo
a apostar todas as fichas na solução das termelétricas,
que teoricamente são construídas em um menor prazo
de tempo e podem usar combustíveis fósseis, como
o gás natural, óleo diesel e carvão.
Mas, ainda que
estejamos sobrevivendo a duras penas nesta crise e estejamos
pagando o pato pelo abandono que sucessivos governos nos relegaram,
precisamos refletir sobre as opções que estão
no momento a nos apontar para superar a crise energética.
Por exemplo,
a termelétrica a carvão, quais são os riscos?
Olha, se você
fizesse uma viagem de retorno ao passado, nos primórdios
da mineração, entraria em uma mina subterrânea
de carvão, e observaria o desgaste físico e respiratório
dos mineiros de carvão. E, ainda hoje, séculos
se passaram e continuam a sofrer de um tipo de pneumonia que
leva a um endurecimento dos pulmões, a dificuldade para
respirar, falta de ar e morte precoce.
O carvão
já era usado pelo 1o Império Romano,
100-200 antes de Cristo. A partir de 1700, no início
da chamada revolução industrial, foi o combustível
que alcançou o maior grau de importância, substituindo
progressivamente a queima da madeira, seja na indústria
emergente seja no aquecimento das casas no inverno dos países
da América do Norte, Europa e Ásia.
As fábricas
começaram a utilizar carvão como combustível
a partir da metade do século XIX, principalmente para
a produção de lingotes de ferro e aço para
a construção de navios, edifícios e estradas
de ferro.
Nos dias de hoje,
o carvão ainda é muito utilizado na indústria
siderúrgica, nos seus alto-fornos ou coquerias, liberando
em sua queima o benzeno, um produto reconhecidamente cancerígeno.
O benzeno provoca alterações dos componentes do
sangue, como a leucopenia ou baixa de glóbulos brancos,
o que diminui a resistência do organismo a infecções
e, pode produzir a temível leucemia.
O carvão
utilizado como combustível, gera resíduos sólidos
e gasosos. No caso das termelétricas, abundantes nos
EUA, é elevadíssimo o nível de poluição
atmosférica nas cidades que albergam estas usinas. Como
naquele país, as reservas de carvão ainda são
grandes e em função da acirrada disputa econômica
com outros mercados, o governo americano tem se esquivado a
reduzir o uso desta fonte de energia que é a principal
responsável pelas emanações atmosféricas
de C02 e de dióxido de nitrogênio.
Por isso, devemos
estar atentos, uma instalação de uma usina termelétrica
usando carvão, é de elevado risco para a saúde
dos trabalhadores e das comunidades vizinhas. Nem os melhores
filtros conseguem eliminar as emissões de poluentes atmosféricos.
E como em geral a fiscalização aqui é precária,
o nível de poluição ainda poderá
ser maior que o esperado.
Enquanto não
houver um investimento maciço no uso de tecnologias para
produção de energia a partir de fontes limpas,
sempre estaremos lutando contra os processos de produção
de energia que poluem as nossas cidades, aumentam a mortalidade
por doenças cárdio-respiratórias, aumentam
a incidência de distúrbios que vão desde
a dor de cabeça, lacrimejamento, irritação
ocular, dor de garganta, pneumonia, crises de bronquite, angina
de peito, angústia e falta de ar. O carvão utilizado
industrialmente contribui para aumentar a ocorrência desta
gama variada de problemas de saúde.
E aí vivemos
um drama, precisamos da energia para o nosso conforto, para
manter o nível de emprego (já tão escasso)
e para a nossa segurança, agora e a que preço
estaremos pagando por tudo isso?
Você já
pensou nisso, apesar de todo o decantado progresso da era industrial,
como caiu a qualidade de vida nas cidades: poluídas (por
terra, ar e mar), inseguras, com acesso desigual aos bens e
serviços, etc.
Neste modelo
perverso de desenvolvimento, já foram destruídas
a maior parte das florestas tropicais do mundo, se esgotam as
fontes naturais (fósseis), reduz-se a água doce
disponível, se desertifica de modo acelerado o planeta,
se desequilibra o ecossistema e proliferam pragas na lavoura,
pestes tipicamente silvícolas nas áreas urbanas,
produtos químicos como pesticidas são usados de
modo indiscriminado, introduzem-se transgênicos, vive-se
o terror dos apagões. O que precisa muda e já,
nós ou este modelo?
O capitalismo
perverso e excludente, aponta para uma utopia não realizável
para a grande massa humana que produz e não usufrui dos
bens. O consumo é desigual, o acesso aos bens e serviços
é determinado pelo poder de consumidor e mesmo a dor,
a doença virou moeda de troca. Neste modelo vigente um
continente inteiro está sendo dizimado a olhos de todo
o mundo – a África, pela AIDS.
Então,
finalmente, é possível mudar este quadro? Sim,
pelo nosso poder de mobilização e organização,
buscando acesso às informações, orientando-se,
gerando uma reação em cadeia contra as mazelas
deste modelo econômico, cujos economistas de plantão
(a serviço do "Hospital FMI") batem no peito
e dizem "nós somos os melhores pagadores da dívida
externa, somos elogiados pelos banqueiros e governos que compõem
o FMI".
Longe desta afirmativa
nos trazer algum tipo de orgulho, nos remete ao papel secundário
que nos tem relegado estes senhores a serviço de outros
interesses, de entregar o país, de empobrecer cada vez
mais o povo, de arrancar o mísero tostão daqueles
ainda mais miseráveis, estamos virando sim um país
dos sem...
...sem terra,
sem escola,
sem saúde,
sem emprego,
sem previdência,
sem comida,
sem transporte,
sem energia
(desculpe, sem energia elétrica, porque energia para
dar esta virada nesta crise, esta a gente tem de sobra e podemos
usá-la aqui e agora, basta a gente criar a nossa rede
de distribuição da nossa insatisfação
e indignação.
Como brasileiros
e seres planetários, cidadãos daqui e do mundo,
vamos lutar por um mundo para que as gerações
futuras se orgulhem de nosso esforço por mudar as estruturas,
os alicerces corroídos do poder e do sistema econômico
vigente, que nos transformam em mero objeto de consumo, segregando-nos
a uma condição de vida baseada nos padrões
de acesso ao consumo, criando categorias de cidadãos,
os que podem tudo, os que podem muito, os que ainda podem, os
que já não podem e os que nunca podem.
Como a condição
de ser humano é um patrimônio da história
deste planeta, a humanidade necessita prosseguir sua marcha
e nós precisamos garantir a existência de condições
dignas e adequadas de sobrevivência para as gerações
de humanos e de outros seres viventes que conosco têm
o privilégio de habitar este planeta.
Por isso, afastemos
tudo o que possa destruir o planeta, pois a sua morte, será
a lenta agonia das espécies humana e de outros seres
vivos.
*Assessor
de Saúde Ocupacional do Sindipetro-RJ
Texto preparado para a Comissao de Meio-Ambiente da CUT-RJ
como subsidio para a discussao com a comunidade de Itaguai,
em 2001
Secretaria de Saúde,
Tecnologia e Meio Ambiente do
Sindipetro-RJ
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