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 Termelétricas a carvão, geração de
 energia e riscos para as comunidades e
 para o futuro da Humanidade

Alberto José de Araujo*

Os mais comuns combustíveis fósseis são o carvão, petróleo e o gás natural. Para a sua formação a natureza despendeu milhões de anos resultado da morte de plantas e animais e decomposição de rochas e do solo. A descoberta destas fontes de energia levou a humanidade a alavancar progresso e crescimento, em um fulminante processo de industrialização do mundo, não respeitando os limites e os riscos provenientes da extração, transformação, queima e manipulação desses combustíveis.

Se por um lado, a exploração desenfreada dessas fontes naturais de energia gerou um avanço sem precedentes no campo tecnológico, por outro lado trouxe trágicas conseqüências para o meio ambiente e para as espécies do reino vegetal e animal.

A humanidade vive assim um grande dilema, pois grande parte do parque industrial moderno e dos padrões de vida e consumo do mundo atual, torna os seres humanos cada vez mais dependentes de energia. E, tirando o potencial de utilização da água, através das hidrelétricas (as quais estão sujeitas às variações climáticas), as fontes alternativas, de produção de energia de fontes limpas, como a energia solar e a dos ventos (eólica) foram até agora muito pouco pesquisadas.

O monopólio de grupos econômicos e de países que produzem as chamadas fontes de energias sujas que contaminam o ambiente com emissões de partículas sólidas, de gases tóxicos e vapores na atmosfera, colocam em risco a "saúde do planeta terra e a de seus habitantes, incluindo a espécie humana".

Embora as reservas mundiais das fontes poluidoras de energia tenham uma estimativa curta de vida, provavelmente não mais que um século, a continuar o processo em curso, os danos poderão se tornar irreversíveis antes mesmo do esgotamento das reservas, como o as chuvas ácidas, poluição atmosférica e mudanças climáticas globais gerando desastres e perdas de vidas e finalmente o aquecimento global, com a destruição progressiva da camada de ozônio que protege a superfície terrestre da radiação ultravioleta do sol, aumentando a desertificação no planeta e a insustentabilidade da vida.

O filtro natural que a camada de ozônio propicia, protege a pele do tão temível câncer de pele.

O aumento de gases na atmosfera aumenta as doenças respiratórias e eleva o risco de morte para pessoas com problemas pulmonares e circulatórios, basta citar o exemplo (péssimo exemplo, aliás) da cidade do México, de Nova Jérsei (EUA), Tóquio e Cubatão (Brasil).

Mecanismos de regulação internacional têm sido discutidos por grupos ambientalistas, universidades, organismos internacionais e organizações não governamentais, mas têm encontrado barreiras de governos como os EUA, para a adesão a protocolos como o de Kioto, que determinam a redução gradual dos padrões de emissão de CO2 e de dióxido de nitrogênio na atmosfera.

Agora com a crise de energia, por absoluta falta de investimento no 2º país do mundo em bacia hidrográfica (só perdemos para o Canadá), têm levado o nosso governo a apostar todas as fichas na solução das termelétricas, que teoricamente são construídas em um menor prazo de tempo e podem usar combustíveis fósseis, como o gás natural, óleo diesel e carvão.

Mas, ainda que estejamos sobrevivendo a duras penas nesta crise e estejamos pagando o pato pelo abandono que sucessivos governos nos relegaram, precisamos refletir sobre as opções que estão no momento a nos apontar para superar a crise energética.

Por exemplo, a termelétrica a carvão, quais são os riscos?

Olha, se você fizesse uma viagem de retorno ao passado, nos primórdios da mineração, entraria em uma mina subterrânea de carvão, e observaria o desgaste físico e respiratório dos mineiros de carvão. E, ainda hoje, séculos se passaram e continuam a sofrer de um tipo de pneumonia que leva a um endurecimento dos pulmões, a dificuldade para respirar, falta de ar e morte precoce.

O carvão já era usado pelo 1o Império Romano, 100-200 antes de Cristo. A partir de 1700, no início da chamada revolução industrial, foi o combustível que alcançou o maior grau de importância, substituindo progressivamente a queima da madeira, seja na indústria emergente seja no aquecimento das casas no inverno dos países da América do Norte, Europa e Ásia.

As fábricas começaram a utilizar carvão como combustível a partir da metade do século XIX, principalmente para a produção de lingotes de ferro e aço para a construção de navios, edifícios e estradas de ferro.

Nos dias de hoje, o carvão ainda é muito utilizado na indústria siderúrgica, nos seus alto-fornos ou coquerias, liberando em sua queima o benzeno, um produto reconhecidamente cancerígeno. O benzeno provoca alterações dos componentes do sangue, como a leucopenia ou baixa de glóbulos brancos, o que diminui a resistência do organismo a infecções e, pode produzir a temível leucemia.

O carvão utilizado como combustível, gera resíduos sólidos e gasosos. No caso das termelétricas, abundantes nos EUA, é elevadíssimo o nível de poluição atmosférica nas cidades que albergam estas usinas. Como naquele país, as reservas de carvão ainda são grandes e em função da acirrada disputa econômica com outros mercados, o governo americano tem se esquivado a reduzir o uso desta fonte de energia que é a principal responsável pelas emanações atmosféricas de C02 e de dióxido de nitrogênio.

Por isso, devemos estar atentos, uma instalação de uma usina termelétrica usando carvão, é de elevado risco para a saúde dos trabalhadores e das comunidades vizinhas. Nem os melhores filtros conseguem eliminar as emissões de poluentes atmosféricos. E como em geral a fiscalização aqui é precária, o nível de poluição ainda poderá ser maior que o esperado.

Enquanto não houver um investimento maciço no uso de tecnologias para produção de energia a partir de fontes limpas, sempre estaremos lutando contra os processos de produção de energia que poluem as nossas cidades, aumentam a mortalidade por doenças cárdio-respiratórias, aumentam a incidência de distúrbios que vão desde a dor de cabeça, lacrimejamento, irritação ocular, dor de garganta, pneumonia, crises de bronquite, angina de peito, angústia e falta de ar. O carvão utilizado industrialmente contribui para aumentar a ocorrência desta gama variada de problemas de saúde.

E aí vivemos um drama, precisamos da energia para o nosso conforto, para manter o nível de emprego (já tão escasso) e para a nossa segurança, agora e a que preço estaremos pagando por tudo isso?

Você já pensou nisso, apesar de todo o decantado progresso da era industrial, como caiu a qualidade de vida nas cidades: poluídas (por terra, ar e mar), inseguras, com acesso desigual aos bens e serviços, etc.

Neste modelo perverso de desenvolvimento, já foram destruídas a maior parte das florestas tropicais do mundo, se esgotam as fontes naturais (fósseis), reduz-se a água doce disponível, se desertifica de modo acelerado o planeta, se desequilibra o ecossistema e proliferam pragas na lavoura, pestes tipicamente silvícolas nas áreas urbanas, produtos químicos como pesticidas são usados de modo indiscriminado, introduzem-se transgênicos, vive-se o terror dos apagões. O que precisa muda e já, nós ou este modelo?

O capitalismo perverso e excludente, aponta para uma utopia não realizável para a grande massa humana que produz e não usufrui dos bens. O consumo é desigual, o acesso aos bens e serviços é determinado pelo poder de consumidor e mesmo a dor, a doença virou moeda de troca. Neste modelo vigente um continente inteiro está sendo dizimado a olhos de todo o mundo – a África, pela AIDS.

Então, finalmente, é possível mudar este quadro? Sim, pelo nosso poder de mobilização e organização, buscando acesso às informações, orientando-se, gerando uma reação em cadeia contra as mazelas deste modelo econômico, cujos economistas de plantão (a serviço do "Hospital FMI") batem no peito e dizem "nós somos os melhores pagadores da dívida externa, somos elogiados pelos banqueiros e governos que compõem o FMI".

Longe desta afirmativa nos trazer algum tipo de orgulho, nos remete ao papel secundário que nos tem relegado estes senhores a serviço de outros interesses, de entregar o país, de empobrecer cada vez mais o povo, de arrancar o mísero tostão daqueles ainda mais miseráveis, estamos virando sim um país dos sem...

...sem terra,
sem escola,

sem saúde,
sem emprego,
sem previdência,
sem comida,
sem transporte,

sem energia (desculpe, sem energia elétrica, porque energia para dar esta virada nesta crise, esta a gente tem de sobra e podemos usá-la aqui e agora, basta a gente criar a nossa rede de distribuição da nossa insatisfação e indignação.

Como brasileiros e seres planetários, cidadãos daqui e do mundo, vamos lutar por um mundo para que as gerações futuras se orgulhem de nosso esforço por mudar as estruturas, os alicerces corroídos do poder e do sistema econômico vigente, que nos transformam em mero objeto de consumo, segregando-nos a uma condição de vida baseada nos padrões de acesso ao consumo, criando categorias de cidadãos, os que podem tudo, os que podem muito, os que ainda podem, os que já não podem e os que nunca podem.

Como a condição de ser humano é um patrimônio da história deste planeta, a humanidade necessita prosseguir sua marcha e nós precisamos garantir a existência de condições dignas e adequadas de sobrevivência para as gerações de humanos e de outros seres viventes que conosco têm o privilégio de habitar este planeta.

Por isso, afastemos tudo o que possa destruir o planeta, pois a sua morte, será a lenta agonia das espécies humana e de outros seres vivos.

*Assessor de Saúde Ocupacional do Sindipetro-RJ
Texto preparado para a Comissao de Meio-Ambiente da CUT-RJ
como subsidio para a discussao com a comunidade de Itaguai, em 2001

 

 


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