XV. SUSTENTABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL

 

O desenvolvimento sustentável é o grande desafio do século XXI. Um desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem descuidar das necessidades das futuras gerações. Este termo foi consagrado no relatório “Nosso Futuro Comum”, elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1987, e parte de princípios como justiça social e preservação ambiental.

Porém, o modelo neoliberal de desenvolvimento, predominante hoje, segue as leis de mercado e estimula a expansão internacional do capital, sendo o maior responsável pela expulsão de populações rurais do campo e pela perda de direitos sociais adquiridos a duras penas pelos trabalhadores.

O que o atual sistema chama de “crescimento econômico”, na prática reduz empregos e direitos trabalhistas. As inovações tecnológicas e a reestruturação produtiva, que as empresas chamam de “modernização”, para os trabalhadores significa aumento do desemprego e da desigualdade social.

Os padrões atuais de desenvolvimento são injustos e antidemocráticos. Não atendem às necessidades da maioria da população e ainda ameaçam a sobrevivência das futuras gerações e do próprio planeta. É impossível generalizar os atuais níveis de consumo de recursos per capita nos países ricos para toda a população da terra. Ao mesmo tempo, nos defrontamos com o problema da crescente poluição provocada por esse alto, desnecessário e desigual consumo.

Apenas cerca de 20% da população mundial participa da chamada globalização. Eles consomem 80% da energia e matérias primas do planeta e são responsáveis por mais de 80% da poluição e degradação dos ecossistemas. A insustentabilidade deste modelo é gerada por dois mecanismos de exploração que não podem ser separados: a espoliação social e a degradação da natureza.

 O problema brasileiro

O modelo de desenvolvimento brasileiro causa uma das maiores desigualdades sociais do mundo e destrói, sistematicamente, os recursos naturais. O Brasil passou do décimo lugar, em 1980, para o quarto lugar do mundo em desemprego. Este quadro se deve à combinação:

a. de elementos da produção de massa de bens duráveis dirigidos a uma parcela restrita de consumidores nacionais;

b. um sistema de proteção social precário; e

c. uma produção exportadora de bens primários, cuja expansão desestabiliza continuamente a pequena agricultura familiar.” (Acselrad, Leroy, 1999)

É urgente a transformação do atual e fracassado modelo de desenvolvimento capitalista. Por quê? O modo de produção capitalista é utilitarista. Explora à exaustão os recursos naturais, degrada o ambiente, concentra renda e é socialmente excludente.

Ele é responsável pelo empobrecimento e endividamento das nações em desenvolvimento e subdesenvolvidas, a exemplo do Brasil. Como conseqüência, tem gerado fome, desemprego, doenças, conflitos e violência.

Devemos lutar por um modelo de desenvolvimento que seja socialmente justo, com valores éticos e respeito à soberania dos povos. Um modelo que se promova em harmonia com o meio ambiente. Precisamos cuidar do nosso planeta, para que ele dê sustentação às nossas reais necessidades. E dizer basta ao consumismo que nos vem sendo imposto, modificando os nossos hábitos e destruindo a nossa morada – a Terra.