O desenvolvimento
sustentável é o grande desafio do século XXI. Um
desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem descuidar
das necessidades das futuras gerações. Este termo foi
consagrado no relatório Nosso Futuro Comum, elaborado
pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,
em 1987, e parte de princípios como justiça social e preservação
ambiental.
Porém,
o modelo neoliberal de desenvolvimento, predominante hoje, segue as
leis de mercado e estimula a expansão internacional do capital,
sendo o maior responsável pela expulsão de populações
rurais do campo e pela perda de direitos sociais adquiridos a duras
penas pelos trabalhadores.
O que o
atual sistema chama de crescimento econômico, na prática
reduz empregos e direitos trabalhistas. As inovações tecnológicas
e a reestruturação produtiva, que as empresas chamam de
modernização, para os trabalhadores significa
aumento do desemprego e da desigualdade social.
Os padrões
atuais de desenvolvimento são injustos e antidemocráticos.
Não atendem às necessidades da maioria da população
e ainda ameaçam a sobrevivência das futuras gerações
e do próprio planeta. É impossível generalizar
os atuais níveis de consumo de recursos per capita nos países
ricos para toda a população da terra. Ao mesmo tempo,
nos defrontamos com o problema da crescente poluição provocada
por esse alto, desnecessário e desigual consumo.
Apenas
cerca de 20% da população mundial participa da chamada
globalização. Eles consomem 80% da energia e matérias
primas do planeta e são responsáveis por mais de 80% da
poluição e degradação dos ecossistemas.
A insustentabilidade deste modelo é gerada por dois mecanismos
de exploração que não podem ser separados: a espoliação
social e a degradação da natureza.
O modelo
de desenvolvimento brasileiro causa uma das maiores desigualdades sociais
do mundo e destrói, sistematicamente, os recursos naturais. O
Brasil passou do décimo lugar, em 1980, para o quarto lugar do
mundo em desemprego. Este quadro se deve à combinação:
a.
de elementos da produção de massa de bens duráveis
dirigidos a uma parcela restrita de consumidores nacionais;
b.
um sistema de proteção social precário; e
c.
uma produção exportadora de bens primários,
cuja expansão desestabiliza continuamente a pequena agricultura
familiar. (Acselrad, Leroy, 1999)
É
urgente a transformação do atual e fracassado modelo de
desenvolvimento capitalista. Por quê? O modo de produção
capitalista é utilitarista. Explora à exaustão
os recursos naturais, degrada o ambiente, concentra renda e é
socialmente excludente.
Ele é
responsável pelo empobrecimento e endividamento das nações
em desenvolvimento e subdesenvolvidas, a exemplo do Brasil. Como conseqüência,
tem gerado fome, desemprego, doenças, conflitos e violência.
Devemos
lutar por um modelo de desenvolvimento que seja socialmente justo, com
valores éticos e respeito à soberania dos povos. Um modelo
que se promova em harmonia com o meio ambiente. Precisamos cuidar do
nosso planeta, para que ele dê sustentação às
nossas reais necessidades. E dizer basta ao consumismo que nos vem sendo
imposto, modificando os nossos hábitos e destruindo a nossa morada
a Terra.