Quando
pensamos em radiação, logo nos vem à lembrança
o poder destruidor das bombas atômicas ou o perigo das usinas
nucleares. Mas a fonte mais comum de radiação é
a própria luz solar. No cotidiano, estamos em contato com várias
outras fontes de radiação: refrigeradores, secadores,
microondas etc. Outras fontes são geradas pela emissão
de ondas de rádio, televisão e celular. Existem radiações
ionizantes e não ionizantes.
Radiação
não ionizante
São radiações de baixa freqüência: luz
visível, infravermelho, microondas, freqüência de
rádio, radar, ondas curtas e ultrafrequências (celular).
Embora esses tipos de radiação não alterem os átomos,
alguns, como as microondas, podem causar queimaduras e possíveis
danos ao sistema reprodutor. Campos eletromagnéticos, como os
criados pela corrente elétrica alternada a 60 Hz, também
produzem radiações não ionizantes.
Radiação
ionizante
São as mais perigosas e de alta freqüência: raios
X, raios Gama (emitidos por materiais radiativos) e os raios cósmicos.
Ionizar significa tornar eletricamente carregado. Quando uma substância
ionizável é atingida por esses raios, ela se torna carregada
eletricamente. Quando a ionização acontece dentro de uma
célula viva, sua estrutura química pode ser modificada.
A exposição à radiação ionizante
pode danificar nossas células e afetar o nosso material genético
(DNA), causando doenças graves, levando até à morte.
O maior
risco da radiação ionizante é o câncer! Ela
também pode provocar defeitos genéticos nos filhos de
homens ou mulheres expostos. Os danos ao nosso patrimônio genético
(DNA) podem passar às futuras gerações. É
o que chamamos de mutação. Crianças de mães
expostas à radiação durante a gravidez podem apresentar
retardamento mental.
A exposição
a grande quantidade de radiação é rara e pode causar
doenças em poucas horas e até a morte. A maioria do conhecimento
sobre os riscos da radiação ionizante se baseia nos estudos
feitos com os 100 mil sobreviventes da barbárie praticada pelos
norte-americanos na 2ª guerra mundial, com a explosão das
bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, no Japão.
Fora das
guerras, o perigo nuclear está, principalmente, nos riscos operacionais
das usinas. Os maiores problemas são os rejeitos radioativos,
que podem contaminar o solo e seus lençóis dágua
e o risco de vazamento. O vazamento da Usina de Tchernobyl, em 1986,
na antiga União Soviética, fez milhares de vítimas.
Em 1979, houve vazamento na usina de Three Miles Islands, nos EUA.
No Brasil,
um acidente em Goiânia, em 1987, levou à morte várias
pessoas que tiveram contato com uma ampola contendo Césio-147,
encontrada num lixo hospitalar.
Quanto
maior a dose de radiação recebida por uma pessoa, maior
a chance dela desenvolver câncer. A maioria dos tipos de câncer
só aparecem muitos anos depois da dose de radiação
ser recebida (tipicamente de 10 a 40 anos).
Há
evidências de que qualquer exposição à radiação
pode causar danos à saúde. Isto é, não existe
nível de exposição seguro ou sem risco.
Qualquer
atividade que explore, manipule, produza ou utilize material radioativo
gera resíduos radioativos, principalmente mineração
de produtos radioativos e geração de energia nuclear.
Vários processos industriais, atividades militares, e pesquisas
científicas, além de setores da medicina e odontologia,
geram subprodutos que incluem resíduos radioativos.
Qualquer
atividade envolvendo radiação ou exposição
deve ser justificada em relação a outras alternativas
e produzir um benefício líquido positivo para a sociedade.
É o chamado Princípio da Justificação.
O princípio
básico da proteção radiológica ocupacional
(Princípio ALARA) estabelece que todas as exposições
devem ser mantidas tão baixas quanto possível. As doses
individuais (trabalhadores e indivíduos do público) não
devem exceder os limites anuais estabelecidos pela norma (NE 3.01 -
Diretrizes Básicas de Radioproteção) da Comissão
Nacional de Energia Nuclear.
Os trabalhadores
nessas atividades têm o direito de receber equipamentos especiais
de proteção (aventais e protetores de glândulas)
e monitores individuais (dosímetros) para medir a radiação
no ambiente de trabalho. O direito é assegurado em convenções
internacionais e pela legislação brasileira. Eles também
têm direito a aposentadoria especial.
A saúde
dos trabalhadores deve ser avaliada a cada 6 meses, com realização,
inclusive, de hemograma completo. Os resultados desses exames devem
ser guardados, pois são fundamentais para o seu acompanhamento.
A leucopenia
(baixa de glóbulos brancos), a anemia e/ou a baixa de plaquetas,
além de outras alterações nas células do
sangue, são sinal de alarme. O trabalhador afetado deve ser afastado
imediatamente da exposição.