É
impossível, hoje, para a maioria da humanidade, pensar a vida
sem energia elétrica e de combustíveis líquidos.
Mas para produzir o conforto necessário, agride-se a natureza.
E, como todas as riquezas produzidas pelo homem, a energia é
desigualmente consumida. Cerca de 2 bilhões de pessoas, no planeta,
não têm acesso à energia elétrica. Só
no Brasil são aproximadamente 15 milhões. Enquanto isso,
os EUA consomem cerca de um terço de toda a energia produzida
no mundo. O planeta não sobreviveria se toda a humanidade consumisse
energia como os norte-americanos.
O consumo
de energia está diretamente associado ao modelo de desenvolvimento.
Enquanto cerca de 10% da população brasileira não
tem acesso à energia elétrica, aproximadamente 8% da que
é produzida no Brasil é consumida pela indústria
de alumínio. Esta indústria é, em grande parte,
controlada por grupos estrangeiros (como os japoneses) que produzem
aqui para atender as necessidades de seus países.
São
poucas as fontes de energia usadas em grande escala e todas as fontes,
sem exceção, causam algum tipo de dano ambiental, como
pode ser verificado na tabela 5.
O carvão
e o petróleo, as duas fontes energéticas mais usadas,
são muito agressivas à natureza.
As agressões
começam na mineração e seguem com os riscos de
derramamento e o despejo de efluentes dos processos industriais de preparação
(moagem e refino) e terminam na utilização, onde a combustão
produz resíduos sólidos e gases poluentes (ver sessão
O ar).
O gás
natural é menos poluente porque os processos para seu beneficiamento
geram poucos resíduos. No entanto, sua combustão também
gera gases que contribuem para o efeito estufa.
A energia
hidrelétrica pode ser considerada limpa por não produzir
poluentes. No entanto, a construção de barragens para
sua geração costuma causar enormes impactos ambientais.
Pode provocar deslocamento de populações (existem vários
exemplos, como a hidrelétrica de Sobradinho), inundações
de florestas (Tucurui, inaugurada em 84, inundou uma floresta com área
correspondente a duas vezes a Baia de Guanabara) ou destruição
de patrimônios históricos e belezas naturais de valor incalculável
(como Itaipu, que encobriu as Sete Quedas). Além disso, nos lagos
das barragens, a taxa de evaporação de água é
maior que nos rios, provocando impactos climáticos locais e eventual
carência de água no curso do rio, abaixo da barragem.
TABELA
5 - Fontes Energéticas
|
Fonte
energética
|
%
do uso mundial*
|
%
do uso no Brasil
|
Problemas
associados
|
|
fóssil:
carvão
petróleo
gás natural
|
27,0
39,9
23,2
|
4,9
33,6
2,7
|
Poluição
do solo e da água, pela mineração e processamento;
poluição atmosférica pela emissão
de gases e partículas na combustão. Principais
responsáveis pelo efeito estufa. |
|
nuclear
|
7,3
|
0,6
|
Alto risco de acidentes e sérios
problemas com os rejeitos.
|
| hidráulica |
2,7
|
38,6
|
Grande impacto ambiental em função
das alterações
na paisagem.
|
|
de biomassa
lenha
álcool
|
|
8,5
10,0
|
Desmatamento
e monoculturas. Tem a vantagem de anular o efeito estufa já
que o replantio da cultura utilizada significa crescimento de área
verde. |
|
limpas permanentes
solar
eólica
geotérmica de ondas
|
|
1,4
|
Ainda enfrenta desafios tecnológicos
para uso em grande escala.
A oferta depende de condições geográficas
e a disponibilidade é variável.
|
A energia
nuclear é muito cara e traz riscos incalculáveis de vazamentos.
Além disso, a humanidade ainda não resolveu o que fazer
com os resíduos radioativos, que podem ameaçar a natureza
durante centenas de anos. As usinas nucleares tem vida útil entre
30 e 40 anos e estão sendo desativadas em algum países,
como na Alemanha.
As fontes
de biomassa são consideradas renováveis e não provocam
efeito estufa. No entanto, na prática, florestas nativas são
destruídas e transformadas em lenha. As monoculturas de cana
para a produção de álcool também agridem
bastante o meio ambiente.
A energia
solar e a energia eólica (dos ventos) são as mais limpas.
Seu aproveitamento em grande escala, no entanto, ainda é muito
caro e depende de condições naturais especiais.
As fontes
de biomassa, se o cultivo for feito de maneira adequada, são
alternativas energéticas possíveis para um desenvolvimento
sustentável.
As tecnologias
já conhecidas de coletores de energia solar e de cata-ventos
(eólica) podem ser amplamente utilizadas para atender demandas
de propriedades rurais e populações periféricas,
hoje ainda não atendidas pela rede elétrica. Devem ser
estimuladas pesquisas para tornar as fontes limpas e permanentes acessíveis
em escala mundial.
Outra forma
barata de aumentar a oferta de energia é a utilização
de pequenas centrais elétricas. Ou seja, o aproveitamento de
pequenas quedas dágua para produção de eletricidade.
A oferta também pode ser ampliada com a modernização
das hidrelétricas já existentes.
Mas o mais
saudável para o meio ambiente é economizar energia, em
vez de produzir mais.
Existe
um consenso entre os técnicos de que a melhor forma de baratear
a energia é reduzir o seu consumo. Em segundo lugar vem a chamada
cogeração. Ou seja, indústrias, shopings e outros
grandes consumidores poderiam instalar geradores próprios com
alta capacidade, de forma a vender à rede pública a produção
excedente.
São
necessárias políticas públicas para reverter o
quadro de má distribuição e de ampliação
constante da demanda. Hoje, no Brasil, a política tarifária
castiga a população e beneficia os grandes consumidores.
O custo da energia elétrica para a indústria, em média,
é a metade do custo residencial. A grande consumidora de energia
elétrica é a indústria. Os grandes consumidores
de combustível são o transporte de carga e os automóveis.
É nesses setores, portanto, que podem ser aplicadas soluções
tecnológicas com maior potencial de redução do
consumo. O transporte de carga em navios consome cerca de 20 vezes menos
combustível que em caminhões. E em ferrovias cerca de
5 vezes menos. É preciso que os sindicatos entrem nessa briga.
Lutemos por transporte coletivo e de massa eficiente e por transporte
de cargas através de navios e trens. Utilizemos, em nosso dia-a-dia,
produtos e serviços com menor conteúdo energético.
Mais produtos recicláveis, menos descartáveis!
O Brasil
é um dos países que mais utiliza energia hidráulica.
Embora a hidrelétrica cause impactos no momento da construção,
é uma fonte que funciona de forma pouco agressiva e barata.
Ultimamente,
no entanto, apesar do país possuir grande potencial hidrelétrico
não explorado, o governo prioriza a utilização
de termelétrica a gás e usinas nucleares, para atender
ao crescimento da demanda de energia.
Além
dos problemas ambientais, as termelétricas a gás exigem
equipamentos fabricados no exterior. Isto significa maior endividamento
externo e dependência do país neste setor estratégico.
Para as
usinas nucleares funcionarem, o país também precisa comprar
equipamentos de instalação e tecnologia de enriquecimento
do urânio no exterior. Seu funcionamento tem significado um grande
custo para os cofres públicos e um baixo retorno social. Somando
a isso os riscos para as gerações presentes e futuras,
torna-se altamente questionável a ampliação e mesmo
a manutenção deste programa.
