Não
engula os alimentos frankenstein! Os transgênicos
são plantas ou animais produzidos em laboratório, a partir
de genes (material genético) de diferentes espécies animais
e vegetais e de microorganismos. A alteração genética
é feita para torná-los mais resistentes e, com isso, aumentar
a produtividade de plantações e criações.
Os transgênicos já são utilizados em vários
países, inclusive no Brasil. Mas ainda não existem pesquisas
apropriadas para avaliar as conseqüências de sua utilização
para a saúde humana e para o meio ambiente.
Pesquisas recentes, na Inglaterra, revelaram aumento de alergias com
o consumo de soja transgênica. Os transgênicos podem reduzir
ou anular os efeitos dos antibióticos no organismo e, como conseqüência,
impedir o tratamento e agravar doenças infecciosas. Alergias
alimentares também podem ocorrer, pois o organismo pode reagir
da mesma forma que diante de qualquer toxina. Outros efeitos a longo
prazo poderão ocorrer, inclusive o câncer.
Em alguns
alimentos, a alteração genética poderá aumentar
a resistência a agrotóxicos, levando ao uso de doses maiores
de pesticida. As pragas, que se alimentam da planta transgênica,
também podem adquirir resistência. Para combatê-las,
seriam usadas doses ainda maiores de veneno, provocando uma reação
em cadeia desastrosa para o meio ambiente e para a saúde dos
consumidores.
O pior
é que não dá para ver a diferença entre
o alimento natural e o transgênico. Um protocolo de biossegurança
internacional, assinado em janeiro de 2000, por vários países,
permite que qualquer país rejeite uma importação
por motivo de precaução. O país exportador é
obrigado a colocar no rótulo dos alimentos transgênicos
os dizeres pode conter transgênico.
No Brasil,
os PROCON (procuradorias do consumidor nos estados), estão pressionando
o governo para adotar a obrigatoriedade do rótulo com a inscrição
este produto tem transgênico nos importados. Por decisão
judicial, o plantio e a importação de sementes de transgênicos
estão proibidos no país. Mas o governo federal declarou
na mídia, em junho de 2000, que ainda não existem
leis, no país, que proíbam a importação
e o comércio de alimentos transgênicos, nem que obriguem
a sua menção nos rótulos das embalagens.
O governo
prefere ceder às pressões de seus parceiros comerciais,
a cumprir o Código de Defesa do Consumidor. No Senado, tramita
projeto de lei que proíbe os transgênicos no país.
Enquanto isso, eles estão, impunemente, nas prateleiras dos mercados
junto a alimentos tradicionais. O IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor)
de São Paulo e o grupo ambientalista Greenpeace fizeram uma pesquisa
em junho de 2000. Dentre os lotes estudados, os seguintes produtos apresentavam
diferentes concentrações da soja transgência (Roundup
Ready): leite Nestogeno com soja, batata frita Pringles (importada),
salsicha Swift, sopa Knorr, macarrão Ajinomoto (cup noodles),
cereal Shake Diet, biscoitos sabor bacon Bacos, leite de soja
Prosobee, Soymilk e Suprasoy e biscoitos de bacon Mccormick.
Fique atento,
em especial com alimentos importados dos EUA, Argentina e Canadá,
onde são produzidos transgênicos em grande escala. Leites
e derivados à base de soja, produtos industrializados à
base de milho, especialmente os importados, podem conter transgênicos.
Temos que lutar por uma produção agrícola livre
de agrotóxicos e de transgênicos, protegendo o homem que
produz, o meio ambiente e a população consumidora.