A exploração
desordenada dos recursos naturais tem conseqüências desastrosas.
Florestas devastadas, rios e mares poluídos, extinção
de espécies nativas, contaminação do ar, da água
e dos alimentos. O desenvolvimento desordenado provoca migração
de grandes contigentes humanos para as cidades, com precarização
das condições de vida.
A relação
da espécie humana com a natureza, ao longo da história,
tem sido de dominação, apropriação e destruição.
Como o filósofo e matemático René Descartes propôs
em 1647: o homem como senhor e proprietário da natureza.
Acreditava-se
que a natureza tinha poder ilimitado de depuração e regeneração.
Que podia digerir todas as agressões humanas. E que as descobertas
da ciência corrigiriam possíveis danos.
Mas o que
observamos? Incêndios, florestas devastadas, rios assoreados e
poluídos e espécies em extinção. Sobreviverá
o homem? Ou desaparecerá, também, vítima de sua
própria depredação?
Segundo
a União Internacional pela Conservação da Natureza,
existem cerca de 5 mil espécies em extinção, muitas
das quais com habitat em nosso país. O direito à vida
humana é, por extensão, o direito à vida de todas
as espécies no planeta. O respeito à biodiversidade (variedade
de espécies vivas existentes no planeta) é uma questão
de sobrevivência.
Os animais
necessitam dos vegetais, que são capazes de converter a luz do
sol em fonte de alimento. Já as plantas necessitam dos animais
para transportar seu pólen e fecundá-las. A maioria dos
animais só sobrevive se suas presas sobreviverem. Este é
o fenômeno de interdependência dos seres vivos.
A exploração
abusiva da natureza ameaça mais de 1/3 das espécies. A
caça e a pesca predatórias (que não respeitam as
necessidades de sobrevivência da espécie), realizadas inclusive
nos períodos de reprodução, são responsáveis
por algumas extinções. Muitos produtos - de origem animal
e vegetal - foram explorados até o limite, provocando o desaparecimento
de outras espécies, vítimas da ganância, do capricho
e da vaidade humana. Madeiras nobres, marfim, peles e penas são
alguns exemplos. A principal causa da extinção ou degradação
da vida das espécies é a perda ou fragmentação
dos habitats naturais.
As florestas
tropicais úmidas (como a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica),
as áreas pantanosas e os manguezais são os ecossistemas
(sistemas de relações de dependência entre seres
vivos e o meio em que habitam) mais desenvolvidos e ricos para a proliferação
da maioria das espécies. Calcula-se que 40 a 90% delas vivem
nestes locais.
Nas áreas
pantanosas e de mangues, por exemplo, vivem microorganismos, plantas,
invertebrados, moluscos, batráquios, peixes, pássaros
e mamíferos. A pouca profundidade e o intercâmbio com rios,
planícies e regiões costeiras permitem uma saudável
produção de nutrientes para a alimentação,
reprodução e o crescimento das espécies.
Essas áreas
são permanentemente ameaçadas pela urbanização
desordenada: invasões, aterros ilegais e descarte de dejetos
industriais, matéria orgânica e plásticos. O garimpo
de ouro também compromete os rios e as áreas pantanosas.
Mais
da metade das florestas tropicais do planeta já está destruída.
O desmatamento cresceu muito a partir dos anos 60 e continua crescendo,
no ritmo de 1 a 2% ao ano.
No Brasil
restam apenas 10% da Mata Atlântica original. Calcula-se que,
até 1997, cerca de 10% da cobertura florestal da Amazônia
Legal já havia desaparecido. Isso sem contar a avassaladora destruição
dos cerrados. E quais são as causas? Fatores como existência
de madeireiras, carvoarias, queimadas, formação de grandes
latifúndios, garimpo, agropecuária e loteamentos concorrem
para degradação ambiental. Como conseqüência
ocorre o empobrecimento dos solos. Os grandes latifúndios provocam
desequilíbrio ambiental porque implantam a monocultura ou a pecuária
em vastas regiões.
O Brasil
foi considerado o maior responsável pelo desmatamento, na América
Latina, na década de 80. O Estado do Rio de Janeiro conserva
apenas 16% de sua mata original.
Com o desmatamento,
a água das chuvas não são retidas. O solo, então,
é varrido e torna-se pobre em nutrientes. Além disso,
as chuvas levam sedimentos para os leitos e calhas dos rios.
A conseqüência
é o assoreamento, que faz o rio transbordar, causando inundações,
com perdas de vidas humanas e grandes danos materiais.