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Nos últimos
60 anos, a população mundial dobrou, enquanto o consumo
de água foi multiplicado por sete. O desperdício da água
tratada para abastecer as cidades chega a 40%. Um quarto da população
dos países em desenvolvimento não tem acesso a água
potável e rede de esgoto.
A pobreza,
combinada com os baixos índices de saneamento básico,
é responsável pela morte de uma criança a cada
10 segundos, no mundo. Dez milhões de pessoas morrem ao ano (metade
com menos de 18 anos) por doenças que poderiam ser evitadas se
a água fosse tratada.
É
da água que a flora e a fauna aquática retiram o oxigênio
que respiram. Em condições naturais, a água abriga
uma cadeia biológica que vai de bactérias e algas aos
grandes animais, como botos e baleias.
A água
é, de todas as substâncias da natureza, a única
com significado vital para todas as espécies. A maior parte de
nosso corpo é constituído por esse precioso líquido
(70%), transportado em rios e afluentes (artérias e veias) para
todas as nossas células e órgãos.
A água
que você consome é potável? O acesso à água
potável é um direito de todo ser humano. Quando a água
que usamos é imprópria, nosso organismo pode desenvolver
várias doenças, como diarréia, verminose, amebíase,
hepatite e doenças de pele. Essas doenças são transmitidas
pelo contato com bactérias, parasitas, protozoários e
vírus.
A floresta
é uma fábrica de água. Por isso, devemos preservar
as vegetações ao redor de fontes e rios. A Amazônia
recicla de 6 a 7 bilhões de toneladas de água doce por
ano.
Embora
o nosso planeta tenha água em mais de 75% de sua superfície,
apenas 0,6% do volume total das águas é doce e está
disponível para uso. E não está distribuída
uniformemente. A Ásia e a América do Sul detêm as
maiores reservas do planeta. Só o rio Amazonas despeja mais de
6 mil quilômetros cúbicos de água por ano no Oceano
Atlântico.
A água
é um recurso natural cada vez mais escasso, precisamos evitar
o uso indiscriminado e o desperdício. Calcula-se que cerca de
65% da água disponível é utilizada na irrigação,
25% na indústria e 10% no consumo doméstico. O crescimento
populacional, o consumo desregrado de água na agricultura, na
indústria e nos domicílios, aumenta a demanda de água
doce. Hoje, consumimos 41% da água que o planeta oferece.
Embora
a Terra ainda consiga satisfazer essa demanda, muitas áreas do
planeta sofrem com a escassez de água devido às secas
localizadas; à poluição de lençóis
subterrâneos, rios e lagos por dejetos industriais ou esgotos
e ao desperdício.
Se a taxa
de crescimento populacional mundial (1,6% ao ano) e a taxa de consumo
unitário continuarem no nível atual, as reservas de água
disponíveis não serão mais suficientes para atender
à demanda mundial em futuro próximo.
Também
há desigualdade no consumo. No Rio de Janeiro, o consumo doméstico
estimado é de 350 litros por habitante/dia, em Chicago chega
a 930 litros/dia e no Quênia, 5 litros/dia.
Vários
países já foram atingidos pela escassez: Egito, Kuwait,
Arábia Saudita, Líbia, Barbados, Tailândia, Jordânia,
Singapura, Israel, Cabo Verde, Burundi, Argélia e Bélgica.
No futuro, a disputa pela água poderá ser motivo para
guerras.
O Brasil
é um país privilegiado em recursos hídricos, com
aproximadamente 8 mil quilômetros cúbicos escoando pelos
rios e 112 mil quilômetros cúbicos de água subterrânea
armazenada. Apesar disso, em alguns estados brasileiros (Pernambuco,
Alagoas, Paraíba, Sergipe e Rio Grande do Norte) o potencial
hídrico renovável per capita chega ao nível de
seca crônica. A escassez já atinge também estados
do Sul e Sudeste. São Paulo está enfrentando um racionamento
que atinge cerca de 3 milhões de pessoas diariamente.
A desigualdade
na distribuição dos recursos hídricos atinge as
populações mais carentes. Cerca de 58% dos municípios
não dispõem de água tratada. Uma criança
morre a cada 24 minutos por diarréia. A privatização
de empresas de saneamento piora a situação. Mais preocupado
com o lucro imediato do que com a democratização dos serviços,
o setor privado alimenta a desigualdade. A falta de tratamento - ou
o tratamento inadequado - dos despejos urbanos e industriais impede
a reutilização da água e agrava o problema.
No Brasil,
calcula-se que 100 mil mananciais dágua (rios e córregos)
estão poluídos.
A necessidade
de evitar a poluição e o alto custo da água, fez
algumas indústrias instalarem tecnologias que gastam menos água
e geram menos efluentes líquidos. A prevenção da
poluição tem permitido recuperar rapidamente rios e lagos.
Na Europa, muitos rios foram recuperados (Tamisa e Reno, por exemplo).
No Brasil, trechos dos rios Tietê e Piracicaba foram recuperados
com ações preventivas.
O excesso
de matéria orgânica e nutrientes na água, como o
fósforo e os compostos de nitrogênio, provocam o crescimento
acelerado de bactérias. Elas consomem o oxigênio, inviabilizando
a vida de diversas espécies animais. Este é o principal
efeito do despejo de esgoto nas águas.
O índice
coli é um indicador biológico da qualidade da água
para consumo ou para banho (mar). Ele mede a quantidade de bactérias
fecais (provenientes do esgoto sanitário) em cada 100 ml de água.
Existem
muitas outras substâncias que poluem a água e a tornam
imprópria para o consumo. Veja a tabela a seguir.

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