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Nesta sexta, os petroleiros estarão de luto

Esta semana a Bacia de Campos fez 25 anos. Enquanto Gros e FHC comemoraram inaugurando um monumento na sede da Petrobrás, em Macaé, o Sindipetro-NF realizou um protesto pela morte de 48 petroleiros nos últimos quatro anos, na Bacia. Amanhã, 16 de agosto, os companheiros do NF e a FUP voltarão a protestar, às 9h, no embarque no Farol de São Tomé. Eles estarão lembrando o acidente com o maior número de vítimas já ocorrido na Petrobrás. Há 18 anos, 37 petroleiros morreram na Plataforma de Enchova. Amanhã, os petroleiros de todo o Brasil estarão de luto.

No dia 16 de agosto de 1984, petroleiros trabalhavam numa sonda de perfuração da plataforma de Enchova. Às 3h30 ocorreu uma explosão num dos poços e o fogo tomou conta da plataforma. Os trabalhadores correram para os barcos de salvamento mas a primeira
baleeira despencou de uma altura de 30 metros. Os petroleiros foram lançados ao mar. Os demais trabalhadores, vendo seus companheiros morrerem afogados, desistiram de descer nas baleeiras e voltaram para combater o fogo, conseguindo escapar com vida.
A explosão que jamais foi esclarecida pela direção da Petrobrás deixou um saldo aterrorizante: 37 mortos e 23 feridos. As famílias e amigos das vítimas e toda categoria petroleira jamais esquecerão a
 
tragédia. Desde então, a cada ano, no dia 16 de agosto, os sindicatos dos petroleiros de todo país relembram a data. É uma forma de dizer que os mortos de Enchova não foram esquecidos. É uma forma também de exigir que a Petrobrás deixe de colocar em risco a vida dos petroleiros.

Convenção 174 já está valendo no Brasil

No mesmo ano em que se completa 18 anos do acidente de Enchova, passa a vigorar no Brasil (a partir do dia 2 de agosto), a Convenção 174 sobre a Prevenção de Grandes Acidentes Industriais da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A maior parte dos acidentes deste tipo acontece nos setores de petróleo, petroquímico e químico. No Brasil, os trabalhadores do Ramo Químico sempre estiveram à frente dessa discussão, através da Confederação Nacional do Ramo Químico (CNQ). É a CNQ que vem representando a CUT nos fóruns nacionais sobre o assunto com o governo e com as empresas. O coordenador da Secretaria de Imprensa do Sindipetro-RJ e diretor da CNQ, Roberto Odilon Horta, representa a CUT, desde 1994 nessas discussões.

Surgente – Por que a Convenção 174 passou a vigorar só agora no Brasil?
Odilon-
Depois de ter tramitado durante vários anos no Congresso Nacional, finalmente no dia 29 de junho de 2001, o decreto legislativo 246 foi promulgado, aprovando a Convenção no país. Normalmente, uma convenção da OIT passa a valer no país após um ano de sua promulgação. Entretanto, o decreto 4085, de 15 de janeiro de 2002, da Presidência da República promulgou a Convenção 174 estabelecendo que a mesma passaria a valer apenas a partir do dia 2 de agosto de 2002.

S– Qual a importância da Convenção para os trabalhadores?
Odilon –
Ela estabelece uma série de direitos que são resultados da luta em nível mundial dos sindicatos, na busca de melhores condições de trabalho. Basicamente, ela tem dois eixos básicos de direitos. O primeiro deles é o direito de saber (inclui informações dos

riscos nos locais de trabalho, garantia do acesso e da participação na elaboração dos relatórios de segurança, planos e procedimentos de emergência e relatórios de acidentes ocorridos, além do treinamento adequado na prevenção e controle dos grandes acidentes). O segundo eixo se refere ao direito de recusa (inclui o próprio direito do trabalhador a se recusar a trabalhar em situações de risco com base em sua experiência, e o direito de discutir com a empresa sobre qualquer perigo potencial de grandes acidentes).

S – E para a sociedade?
Odilon –
É importante que se saiba que acidentes ambientais e acidentes que impactam comunidades vizinhas às instalações industriais não aparecem de um dia para o outro, nem são o que as empresas costumam chamar de “ fatalidade”. Na realidade, os grandes acidentes são o que se pode chamar de “fratura exposta” do sistema de relações de trabalho existentes nas indústrias hoje. Havendo maior

controle e participação dos trabalhadores, que são aqueles que conhecem as condições de risco - o chamado saber operário - certamente a sociedade também ganhará com isso já que os acidentes tenderão a diminuir.

S – Agora que a Convenção está valendo, quais são os próximos passos para que ela seja, de fato, implementada?
Odilon –
Nós da CUT entendemos que alguns itens são auto-aplicáveis. Porém existem outros pontos que devem constar de uma política nacional de prevenção e controle de grandes acidentes industriais, necessitando de uma regulamentação para se adaptar ao sistema jurídico de cada país. É nesta fase que o Grupo de Estudos Tripartite, da OIT 174 irá se debruçar daqui por diante. Já está previsto para o dia 30 e 31 de outubro, em São Paulo, um seminário nacional de atualização sobre a Convenção, visando a sua efetiva implementação no Brasil. O Sindipetro-RJ estará presente.

 

 

Não deu certo

O governo argentino continua negociando um pacote de ajuda financeira perto dos US$ 7 bilhões com o FMI. Atualmente, o desemprego atinge 21,5% da população economicamente ativa na Argentina e metade de seus 36 milhões de habitantes vive na miséria. Caso feche o acordo, o dinheiro será destinado a saldar os vencimentos da dívida. Nenhum desses argentinos desempregados conseguirá emprego. Nenhuma criança argentina com fome passará a comer por causa do acordo.
Na semana passada, o acordo fechado entre o governo do Uruguai e o FMI prevê que o país chegará ao fim do ano com uma queda entre 11% e 11,5% do Produto Interno Bruto (em torno de US$ 14 bilhões). O acordo estima que a inflação no país chegue a 40%. O programa econômico foi elaborado com base num cenário extremo mas o que é senão extrema, a situação dos uruguaios que estão tendo de saquear supermercado para comer ou esperar a distribuição de laranjas feita pelo governo, para poderem alimentar seus filhos?
Já o Brasil vai receber US$ 30 bilhões do FMI, um empréstimo sem precedentes em sua história. Uma corda maior para o enforcado já no patíbulo como bem disse o Veríssimo. Um “fôlego” a mais para um país já quebrado, cuja concentração de renda só não é superior à de países reduzidos a molambos, como a Suazilândia, República Centro-Africana e Serra Leoa, como bem lembrou Clóvis Rossi.

A verdade é que segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a pobreza atinge 44% da população latino-americana. O número de desempregados dobrou nos últimos dez anos. As taxas de desemprego do primeiro semestre de 2002, em toda a América Latina, chegam a 9,4%, a maior desde a crise dos anos 80. Mas só no Uruguai está em 15,6%.

O que está evidente é que a política imposta pelos sucessivos acordos com o FMI não está dando certo e está levando um continente inteiro à miséria e ao desespero. Nenhum protocolo eleitoral pode impedir que os partidos de esquerda e comprometidos com o povo gritem essa verdade e chamem os trabalhadores brasileiros a juntarem-se aos protestos que estão varrendo a região.

 

  DIREÇÃO COLEGIADA: Abílio Tozini, Castellani, Chagas, Edson, Emanuel Cancella, Espinheira, Furtado, Joacir, José Pereira, Luciano, Magalhães, Marcello, Marcia Felipe, Marcos Barbosa, Mário, Odilon, Roberto Ribeiro, Rodrigues, Paulo Roberto, Schopke, Silvio Sinedino, Sidney, Soriano, Tânia. SECRETARIA DE IMPRENSA: Odilon, Edson e Roberto Ribeiro. REDAÇÃO E EDIÇÃO: Stela Guedes Caputo (MTB 17143). REDAÇÃO: Cláudia de Abreu (17.081RJ). SECRETÁRIA: Nádia de Lima. PROJETO GRÁFICO:Claudio Camillo (MTB 20.478). DIAGRAMAÇÃO:Claudio Camillo e Carlos Soares. ILUSTRAÇÃO:Pedro Pamplona. FOTOS:Samuel Tosta. IMPRESSÃO: Monitor Mercantil.Tiragem:11.000
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15 a 21 DE AGOSTO DE 2002
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