Página anterior
PÁGINA 2
Próxima página

Petroleiros exigem contratação
Centenas de pessoas participaram do protesto realizado em frente ao Edise no dia 1o de agosto. O Sindipetro-RJ esteve junto com os concursados organizando o ato que marcou a data em que se completava um ano que um dos editais para o concurso da Petrobrás foi lançado. Todos os diretores do Sindipetro-RJ presentes ao ato denunciaram a política de redução de efetivo da Petrobrás, a terceirização e a precarização do trabalho. Entidades, parlamentares e diversos militantes somaram-se também à nossa luta.

“O concurso era minha perspectiva de futuro. Meu pai trabalhou a vida inteira na REFAP, em Canoas, e meu sonho sempre foi ser petroleiro. Me sinto frustrado”. O desabafo é de Cristiano Szczepaniak, 29 anos, que veio de Florianópolis para participar do ato que reuniu centenas de pessoas no dia 1o de agosto, em frente ao Edise. O protesto marcou um ano da publicação do edital do primeiro concurso de 2001. Cristiano, aprovado para Operador I, não era o único decepcionado.
Prejuízos - muitas pessoas se sentem lesadas pela direção da Petrobrás que somente há quinze dias anunciou que irá contratar os concursados a partir de setembro. “Depois de um ano sem qualquer satisfação, agora ficamos sabendo extra-oficialmente que a empresa irá chamar apenas 600 dos aprovados neste concurso. Isso representa menos de 40% do total de aprovados. Sem falar nos aprovados nos concursos realizados em novembro passado e em março deste ano”, criticava durante o ato, a engenheira de petróleo Cristina Moreira, 31 anos, uma das aprovadas no concurso de setembro. Cristina relatou a história de um amigo, também concursado que prestava serviço para uma empresa de petróleo

Patrícia Teixeira Fontanela Ferreira, 23 anos (administradora júnior), Cristina Moreira, 31 anos, (engenheira de petróleo), Elizangêla Melo Pena, 26 anos (engenheira de processamento). Todas, aprovadas em todas as fases do primeiro concurso de 2001, lutam pela contratação imediata.

 

“A CUT está solidária com a luta dos petroleiros que não é só deles, é de toda a sociedade. É um absurdo manter tantos aprovados em concurso desempregados” (Antônio Carlos Carvalho, presidente da CUT-RJ)

na China. “O RH o convocou para a etapa bio-psicosocial e disse que ele deveria se apresentar imediatamente. Ele voltou da China, fez os exames, foi aprovado e está esperando. O problema é que recebeu uma justa causa da empresa em que trabalhava”, denuncia.
No manifesto distribuído à população, os concursados revelam que mais de 11 mil trabalhadores de níveis médio e superior foram aprovados em 15 concursos públicos realizados pela Petrobrás nos últimos anos. A maioria ainda luta pela admissão.

 

“O fim das discriminações entre novos e antigos petroleiros é uma de nossas principais bandeiras e está presente em todas as nossas pautas de reivindicações (Antônio Carrara - coordenador da FUP).

 

“Na REGAP, morreram quatro operadores. Depois de muita denúncia, o Ministério Público entrou com ação civil pública e a Petrobrás foi obrigada a contratar. Não contratou e um novo acidente matou mais dois petroleiros. Essa é a política de extermínio de FHC.” (Maurício F. Rubem – diretor da Secretaria de Petróleo, Petroquímica e Energia da CNQ/CUT).

Menor o efetivo, maior o risco

Salários mais baixos, menos treinamento, segurança precária, discriminação, acidentes, mortes. Há muito se sabe que as condições de trabalho dos petroleiros terceirizados costuma ser muito pior que a dos efetivos. Os terceirizados tendem a se expor a mais riscos e os acidentes são de maior gravidade. A subnotificação também é mais alta, sendo que o registro de casos costuma ser apenas para os de maior gravidade, ocultando assim a real situação a que estão submetidos. Justamente por isso, a FUP e os sindipetros insistem: repor o efetivo é uma questão de sobrevivência da Petrobrás. Para discutir melhor o assunto, o Surgente ouviu a doutora Aparecida Mari Iguti, professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP, autora (em conjunto com a pesquisadora Leda Leal Ferreira) do livro “O Trabalho dos Petroleiros, Complexo, Contínuo, Coletivo e Perigoso”.

Surgente: Quais as conseqüências da política de redução de efetivos da Petrobrás?
Iguti:
A redução de efetivos leva a uma sobrecarga direta nas atividades dos petroleiros, em particular, aos alocados na área de operação (processo, transferência e estocagem). Apesar da Petrobrás alegar que o maior conhecimento adquirido no decorrer do tempo de operação, as atividades estruturadas continuam as mesmas. Também a automatização poderia constituir-se em pretexto para a redução de efetivos. Entretanto, o que existe na verdade, é um deslocamento de atividades e maior precisão no controle fino do processo, entendendo controle fino como maior precisão de detalhes do processo e não necessariamente maior confiabilidade nos sistemas.

S- Do que depende a confiabilidade dos sistemas?
Iguti:
Na presente situação, a confiabilidade dos sistemas continua a depender diretamente dos operadores, do seu diagnóstico da situação, momento a momento. Isto significa que todas as atividades que serviam para vigiar os sistemas (as chamadas rotinas

de trabalho em cada turno) e que foram abolidas por falta de pessoal, criam, para sistemas que são complexos e perigosos, uma situação de maior risco, pois a imprevisibilidade dos sistemas se mantém, pois trata-se de características inerentes a estes sistemas e processos. Em outras palavras, representa maior risco de ocorrência de eventos que podem evoluir para os grandes acidentes (acidentes ampliados). Esta é uma das razões do porquê os petroleiros tem reagido e resistido à redução de efetivos.

S - A Petrobrás fiscaliza ou não o processo de trabalho das terceirizadas?
Iguti:
Não se trata de deixar de fiscalizar. Acredito até que existam procedimentos de controle de atividades das terceirizadas. Um dos problemas está ligado a redução de efetivos, que não mais podem ficar acompanhando as atividades de forma constante, mais emitem as permissões de trabalho (de forma quase burocrática) e tem que dar conta de inúmeras tarefas concomitantes. A terceirização em geral representa um pior controle sobre o processo de trabalho, mesmo quando o índice de re-trabalho seja pequeno.

  DIREÇÃO COLEGIADA: Abílio Tozini, Castellani, Chagas, Edson, Emanuel Cancella, Espinheira, Furtado, Joacir, José Pereira, Luciano, Magalhães, Marcello, Marcia Felipe, Marcos Barbosa, Mário, Odilon, Roberto Ribeiro, Rodrigues, Paulo Roberto, Schopke, Silvio Sinedino, Sidney, Soriano, Tânia. SECRETARIA DE IMPRENSA: Odilon, Edson e Roberto Ribeiro. REDAÇÃO E EDIÇÃO: Stela Guedes Caputo (MTB 17143). REDAÇÃO: Cláudia de Abreu (17.081RJ). SECRETÁRIA: Nádia de Lima. PROJETO GRÁFICO:Claudio Camillo (MTB 20.478). DIAGRAMAÇÃO:Claudio Camillo e Carlos Soares. ILUSTRAÇÃO:Pedro Pamplona. FOTOS:Samuel Tosta. IMPRESSÃO: Monitor Mercantil.Tiragem:11.000
http://www.sindipetro.org.br
sindipetro-rj@sindipetro.org.br
imprensa@sindipetro.org.br
Av. Passos, 34 - Centro, RJ Cep: 20051-040
((21)3852-0148 FAX: (21)2509-1523
Página anterior
8 a 14 DE AGOSTO DE 2002
Próxima página