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Internacionalização da Petrobras
A questão é: como (e para quê) crescer

A compra da Perez Companc faz parte da estratégia de internacionalização da Petrobras. A estatal brasileira mantém outras negociações para a compra de ativos na Argentina, Bolívia, Colômbia, EUA e na região oeste da África, com a finalidade de alcançar uma produção de 300 mil barris por dia de petróleo fora do Brasil. Não se trata de criticar o crescimento internacional da Petrobras. Trata-se contudo, de questionar como a Petrobras fará essa expansão e que tipo de conseqüências levará às populações dos países onde chegar.

A Petrobras anunciou – inesperadamente – esta semana, a compra da Perez Companc S.A, última empresa de capital argentino do setor petróleo. Pelo acordo preliminar assinado, a Petrobras pagará US$ 1,125 bilhão pelo grupo, em crise desde a desvalorização do peso. A família Perez Companc é uma das mais tradicionais da Argentina. Presente nos setores de energia, petroquímicos, alimentos e transporte, o grupo ocupa hoje o sétimo posto no ranking das empresas do país. Trata-se portanto de uma empresa privada, com capital privado. Independente disso, o sentimento da população Argentina é de perda. Os argentinos estão perdendo há muito tempo. Já perderam a YPF (ver Surgente 911) para os espanhóis e agora perdem uma empresa de capital argentino (ainda que privada) para uma estatal brasileira. O estrago começou quando o governo Menem privatizou as estatais, agora, tudo é efeito colateral da política neoliberal.

Petrobras globalizada? – o presidente da Petrobras,

Francisco Gros, dá seqüência à já anunciada política de internacionalização da estatal. A Perez Companc detém 38% das reservas de petróleo da Argentina, 31% das reservas da Venezuela, 12% das reservas da Bolívia, 10% das reservas do Equador e 9% do Peru. Passa a controlar 98% do refino na Bolívia. O objetivo da Petrobras, de acordo com Gros, é ampliar a presença da estatal nos países do Cone Sul, onde

certamente irá atuar mais ativamente a partir de agora. Gros reconhece que em decorrência da crise econômica na Argentina, a Petrobras adquiriu a Perez Companc por menos da metade do que a empresa valia há dois anos. Para ele, a operação se justifica já que o que estava em jogo eram “reservas extraordinariamente importantes e uma oportunidade de investimentos em ativos de excelente qualidade”.

Desemprego e violência - a fragilidade da Argentina “beneficiará” outros investidores como a Petrobras. Analistas explicam que muitos empresários estão diante de um conflito feroz: ou pedem concordata ou vendem o negócio. A Argentina deve hoje ao exterior algo em torno de US$ 45 bilhões. Essa situação provocará mais mudanças e mais vendas de pacotes acionários. Com toda a certeza aumentará o número de desempregados argentinos, cujo universo já atinge 3,1 milhões de pessoas e cujo índice pode chegar a 30% da população economicamente ativa, o que representaria um recorde para a

América Latina. Que tipo de política a Petrobras vem estabelecendo com os trabalhadores das empresas que já comprou? E com aquelas que vem comprando? Demitirá esses trabalhadores?

Uma velha história - o episódio da compra da Perez Companc em plena crise Argentina pode nos lembrar de uma velha história. Dois homens estavam fugindo de um leão sendo que apenas um deles tinha tênis e parou para calçá-lo. O outro, perplexo, indagou: - Mas você acha que conseguirá correr mais rápido do que o leão por causa do tênis? E o parceiro respondeu: - Mais rápido que o leão não, mas mais rápido que você sim.
Estamos todos correndo do grande predador, o leão neoliberal. Vale perguntar que tipo de postura teremos diante de nossos próprios irmãos também explorados para escaparmos da crise. Talvez essa reflexão defina uma importante diferença entre negociar com outros países e expropriar suas riquezas. É uma reflexão que também definirá para onde vai a Petrobras em sua política de internacionalização.

  
Eleição para delegados sindicais é 15 de agosto

As inscrições para eleição de delegados sindicais para as bases em que não existem diretores do Sindipetro-RJ estarão abertas de 26 de julho a 7 de agosto (até às 18h impreterivelmente). Serão eleitos cinco representantes para as seguintes bases: DTSE-Ilhas, DTSE-Angra e as três subsidiárias: Gaspetro, Petroquisa e Braspetro.

Os candidatos devem ser sindicalizados e enviar seu pedido de inscrição para a Secretaria de Formação do Sindipetro-RJ, aos cuidados de Cláudia Barros, através do correio eletrônico: seforma@sindipetro.org.br ou pelo fax: (21) 2509-1523.

É importante confirmar se a inscrição foi recebida pelo Sindicato. Também durante o mês de agosto, será iniciado debate com a categoria sobre a importância das Comissões de Base.
Fique ligado!

A importância do delegado sindical

A figura do delegado sindical existe há muito tempo no sindicalismo brasileiro. Nem sempre, contudo, ela representou verdadeiramente os interesses dos trabalhadores. Na época das direções pelegas, o delegado sindical era indicado pelas direções dos sindicatos e servia para harmonizar as relações entre patrões e trabalhadores. Servia também como uma forma de se contrapor às oposições sindicais combativas e cutistas que vinham ganhando os sindicatos. Só com o surgimento do novo sindicalismo representado pela CUT (final da década de 70 e início dos anos 80), esse importante instrumento dos trabalhadores passou a ser de luta, principalmente nas bases onde não havia diretores eleitos.
De lá para cá, seu papel ficou definido por representar o sindicato
na base. É o delegado sindical que faz o elo de ligação entre a base e o sindicato.
Por outro lado, o maior investimento feito pelo sindicalismo cutista (da metade da década de 80 em diante) foi a implementação das Comissões de Base ou de Fábrica. Os metalúrgicos são grandes exemplos nessas organizações. Nós, os petroleiros também apostamos nessas organizações e, atualmente, contamos com três comissões de base funcionando no Rio: Manguinhos, Prosint e Fronape/Transpetro. A principal diferença entre a Comissão de Base é o Delegado Sindical é que a Comissão de Base é totalmente autônoma em relação ao Sindicato. Já o Delegado Sindical representa o Sindicato na base e a sua base no Sindicato.

Sindicalista é torturado e morto no Pará

O líder sindical Bartolomeu Morais da Silva, o “Brasília”, de 44 anos, foi seqüestrado, torturado e assassinado com 12 tiros na cabeça na madrugada do dia 23 de julho, em Castelo dos Sonhos, a 700 quilômetros de Altamira, no sudoeste do Pará. As duas pernas do sindicalista foram quebradas antes da execução. Nos últimos meses, Silva vinha denunciando ameaças anônimas de morte. Ele era delegado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Altamira, que está exigindo da Polícia Civil a apuração do caso. A polícia ainda não tem pista dos assassinos.
A direção da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará (Fetagri), em nota, aponta como um dos suspeitos do crime o fazendeiro paulista Nilton Braga e acusa policiais civis de conivência com pistoleiros e com o crime organizado na região. A vítima defendia posseiros que ocuparam recentemente uma área conhecida como “Big Vale”.

  DIREÇÃO COLEGIADA: Abílio Tozini, Castellani, Chagas, Edson, Emanuel Cancella, Espinheira, Furtado, Joacir, José Pereira, Luciano, Magalhães, Marcello, Marcia Felipe, Marcos Barbosa, Mário, Odilon, Roberto Ribeiro, Rodrigues, Paulo Roberto, Schopke, Silvio Sinedino, Sidney, Soriano, Tânia. SECRETARIA DE IMPRENSA: Odilon, Edson e Roberto Ribeiro. REDAÇÃO E EDIÇÃO: Stela Guedes Caputo (MTB 17143). REDAÇÃO: Cláudia de Abreu (17.081RJ). SECRETÁRIA: Nádia de Lima. PROJETO GRÁFICO:Claudio Camillo (MTB 20.478). DIAGRAMAÇÃO:Claudio Camillo e Carlos Soares. ILUSTRAÇÃO:Pedro Pamplona. FOTOS:Samuel Tosta. IMPRESSÃO: Monitor Mercantil.Tiragem:11.000
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25 a 31 DE JULHO DE 2002
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