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 E N T R E V I S T A
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Concentração em Manguinhos é nesta sexta e assembléia é segunda. Às 12h, na porta da Refinaria
Protesto pelas mortes
na REGAP acontece|
hoje, às 12h,
no Edise
 

A fraude
é o capital

No que se refere à crise das fraudes nas empresas americanas, todas as orientações dos arautos do capitalismo (de Miriam Leitão a Alan Greenspan) apontam para o mesmo diagnóstico: a culpa é da contabilidade mal feita, ou seja, da Artur Andersen, a empresa de auditoria que não sabia auditar (!), nem orientar corretamente seus clientes americanos, entre eles, as empresas de energia Enron, Dynegy e Halliburton e as de telecomunicações, WorldCom, Qwest e Global Crossing. Todas, ou já abriram concordata, ou estão prestes a fazê-lo. Os jornais chegam a apontar esse diagnóstico como um “alívio”.
Se o diagnóstico estivesse certo, o mundo se livraria da Andersen (que deve acabar fechando as portas mesmo) e a única conseqüência seria apenas mais um monte de contadores e auditores corruptos desempregados (nesse caso, bem feito!). Mas o diagnóstico está errado e portanto, não podemos seguir aliviados. Divulgar por exemplo, que a Artur Andersen e a WorldCom não eram lados de um mesmo biscoito colados por um recheio bilionário, interessa a quem come biscoitos tão finos e ao mesmo tempo tão podres como esses. Interessa ao império (leia-se os EUA) e ao seu modelo de globalização excludente. Mas, na medida em que cresce a lista de escândalos financeiros, o que sobe à tona é um determinado padrão de comportamento de todo um sistema.
Elevação artificial de lucros e ativos, uso de informações privilegiadas para negociatas em Bolsa, executivos que usam o dinheiro de empresas para compra de imóveis pessoais... não são fatos isolados, mas antes desmascaram a própria natureza do capitalismo. Esse padrão é mais cruel ainda porque nem se lembram de falar sobre o aumento do desemprego, do arrocho salarial e da miséria no mundo. Afinal de contas, é à custa do sacrifício de milhões de trabalhadores no planeta que o capitalismo entra e “sai” de crises como essas.
Outro padrão de comportamento intrínseco ao sistema capitalista, em sua forma atual, é o fatiamento de empresas estatais para a privatização e a rapinagem financeira. Os jornais também silenciam sobre essas conseqüências. Se estivessem dispostos a ouvir um dos petroleiros de Manguinhos demitidos pela frieza dos números da Repsol/YPF, teriam depoimentos significativos. A grande fraude portanto, não é das empresas que venderam números ilusórios e quebraram. A grande fraude é do próprio modelo: o capital que segue vendendo a ilusão de que conseguirá um dia ser de outro modo.

 
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18 a 24 DE JULHO DE 2002
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