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Das causas
e dos efeitos

Para o cientista político Emir Sader, há temas tão significativos no mundo de hoje que a posição de cada um em relação a eles revela o caráter de uma pessoa. Dizemos mais: revela a política de uma empresa, os compromissos de um país. Os que dizem respeito ao mundo do trabalho são alguns desses temas e o episódio da P-50 é esclarecedor.
Para entender porque a Petrobras, mais uma vez, sepulta sua função social, é fundamental não separarmos os efeitos de suas causas. Mandar construir a plataforma em Cingapura e não no Brasil por uma diferença de 6% é o efeito. E se é efeito, não surgiu do nada, não brotou espontaneamente na cabeça do presidente da Petrobras. Também não é um efeito isolado. Gros decidiu beneficiar o capital internacional ao mesmo tempo em que rasgava o ACT dos petroleiros na campanha da PLR. Ao mesmo tempo também, os petroleiros de Manguinhos

são ameaçados pela Refinaria com um PIDV lançado em plena campanha reivindicatória.
O episódio da P-50 e os demais exemplos citados, são mais que suficientes para entendermos de uma vez a perversa lição da globalização neoliberal. A direção da Petrobras se iguala às empresas privadas e quer lucro. E lucro, na lógica dos que estão docilmente submetidos ao capital transnacional, significa beneficiar o mercado e empobrecer, pauperizar e excluir os trabalhadores.
Vivemos, portanto, em um mundo firmemente mantido sob as rédeas do capital, numa era de promessas não cumpridas e esperanças amargamente frustradas. Gros, FHC e todos os que tomam decisões que afetam os trabalhadores, alegam que não há alternativas. Não há alternativas para a PLR, não há alternativa no caso da P-50, não há alternativa ao PIDV de Manguinhos. Só que os metalúrgicos que ocuparam o Edise disseram não a esta lógica.
Nós, que estamos concluindo a campanha da PLR, que já estamos em negociações em Manguinhos, na Prosint, nas empresas multinacionais e que já começamos a preparar a campanha no Sistema Petrobras, também precisamos dizer não à lógica do capital. Para nós existe alternativa sim, e a que propomos é uma política centrada no trabalho humano.


Homenagem póstuma ao “Tio Raimundo”

O empregado mais antigo de Manguinhos, Raimundo Moreira de Andrade, morreu, aos 89 anos.
O “Tio Raimundo”, como era mais conhecido, ingressou na Refinaria de Petróleos de Manguinhos em 1953 como prestador de serviço.
Em 1955 passou a empregado da manutenção como supervisor de serviços gerais.
Sua matrícula era nº136, uma das primeiras, já que ele se filiou ao sindicato em 19 de agosto de 1975.
A nova Oficina de Manutenção de Manguinhos, recentemente inaugurada, recebeu seu nome em homenagem àquele que ficou na lembrança de todos como uma pessoa de alto astral, sempre transmitindo alegria no ambiente de trabalho.
 

Festa da posse
é um sucesso

Mais de mil pessoas prestigiam a nova direção eleita


A direção eleita comemora a posse junto com a categoria

Os petroleiros compareceram em peso à festa da posse da nova diretoria do Sindipetro-RJ, realizada no último dia 14 de junho. A Galeria dos Comerciários ficou pequena para o número de pessoas que foi prestigiar a nova direção e reforçar os laços com a entidade. Na ocasião, os mais de mil presentes puderam conhecer um pouco mais sobre as idéias da nova diretoria - que já estão sendo colocadas em
prática -, além das propostas futuras, necessárias para a renovação do sindicato. Além dos inúmeros petroleiros, estiveram presentes representantes de diversas entidades sindicais e movimentos sociais como MST, AEPET, FUP e CUT. O evento também contou com a presença de vários parlamentares. Uma prova de reconhecimento e respeito pelo trabalho do Sindipetro-RJ!

Homenagem na Solenidade de Posse

Estimados companheiros e companheiras, foi no ano de 1968. À duras penas, conseguimos formar uma chapa que recebeu o nome de “Chapa Verde”, para disputar com a chapa policial da ditadura. (...). Fomos vitoriosos por duas vezes com esmagadora maioria com o primeiro pleito anulado. Finalmente, por ordem do então 1o Exército, para não nos dar posse, foi decretada a intervenção no nosso sindicato por tempo indeterminado. Nossa chapa foi declarada subversiva e ilegal. A punição menor para seus membros e apoiadores foi a de transferência para unidades longínquas, como foi o caso do falecido Selin Kaskus. Juntamente comigo, foram demitidos Ari Celestino Leite, Eronides Pereira de Araújo, Eliseu de Oliveira e outro dois companheiros, já falecidos, Silvio Nunes e Benedito Justino. Opositor ativo contra a ditadura significava ser: enquadrado como subversivo, arrancado do seu emprego, proibido de estudar, enquadrado na Lei de Segurança Nacional, exilado ou
preso, interrogado, torturado, levado a julgamento ou talvez eliminado, podendo ou não ter o corpo devolvido à família.
Foi a ditadura militar quem ensinou a praticar sequestros no Brasil. E quem ensinou os militares golpistas de 1964 foram os americanos através dos seus programas de treinamento. (...). Passamos por quase tudo isso e graças a Deus estamos vivos e podendo contar esta história. E é nosso dever contá-la. (...).
Por tudo isto, acho fundamental nosso sindicato trabalhar não só pelos petroleiros, mas junto à sociedade (...) em prol da cidadania, do avanço social . (...)
A Chapa Verde de 1968, o ano que não acabou, toma posse hoje, 34 anos depois, mais viva e revigorada, com a incorporação de valorosos companheiros, homenageando a todos os que tombaram para que hoje estivéssemos aqui.

Francisco Soriano
Diretor do Sindipetro-RJ
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21 A 26 DE JUNHO/2002
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